quinta-feira, 13 de março de 2008

Talício, Minino Mijão


Min-a querida mãe, que Deus a tenha num lugá de discanso, sempre ela dizia que eu era um minino sem ingual. Ela dizia que eu era bunito comomenino Jesuis, isperto como cabrito, rápido como cuelho, zangado como preá, mani-ôso como gato e pirigoso como cobra. Mar eu num lembro disso não, eu só lembro que eu era mijão... ria não seu moço, eu era mijão mermo... pur tudo eu me mijava todo...

Ei dona moça, pára de rír sinão vô fica incabulado e num conto mais a história.

Chegô na cidade de Horizontino uma prufessôra muito bunita, e os homi tudim quisero que seus fíi fosse istudá, assim eles levava nóis pra aula e via aquele riso bunito e o bom dia dela.

Meu pai dixe que um riso daquele matava inté fome. ô riso puderoso, né...

Mas a min-a bixiga num respeitava as aula, não. Eu vivia ino pro bain-êro do coléju, a toda hora. A fessôra já tava inté pensano que eu tava era com arrumação. Aí num dexô mais eu íi fazê min-as necessidade. Num guentei não, seu moço, mijei na sala de aula mermo... a Gloristonibela fêiz o mó escândio, aí a fessôra mi dexô de castigo na hora do recrêi. Eu falei, fessôra é mió dexá eu íi pro recrêi, ela num dexô, mijei di novo na sala de aula.

Adepois do recrêi num teve mais aula, purquê a sala tava uma fedorença só. Fazê o quê!

Meu, pai, homi dirêto e séro, me mandô fazê a comunhão, fui. Mais as aula era tão chata. às vez era ingraçada, mais a maioria das vez era chata, e o mijão não se dava conta das vez que tin-a que ir ao bain-êro.

Muitas vez, depois das aula de catacismo, o padre pedia pra eu, o Aguinobaldo e o Fulgurêncio limpá as image e os altá. Mas nexe dia as côsa ficô séra.

Magina o sin-ô e a sin-óra, o dia tava chuvôso que dava pena se levantá da cama, magine como que eu tava cum vontade de mijá... se já era mijão cum calô, magina cum fríi!

Mais lá fui eu pra Igreja, pras aula de catacismo. Só no camin-o mijei trêis vez. Na aula, o padre feiz uma brincadêra cum nós. Eu ía pra tráis do altá e eles combinava uma brincadêra, pra depois eu adivinhá quem tava começano as batida de palma, de pé, coçá a cabeça... essas côsa.

Mas atrás do altá a bixiga cresceu e se expremeu, meu povo, a vontade de mijá era tanta que num güentei, máis onde eu era de mijá?

Vi um saquin-o de prástico, num cuntei cunversa - mijei no saquin-o... Xii, seu moço, eu pensei, e agora, onde que vô iscondê isso... olhei prum lado, pro ôtro e vi uma image de Nossa Sin-óra, que tinha saído do lugá dela pra mais tarde a gente limpá... ela há de me sarvá...

Tirei a corôa da santa e coloquei o saquin-o imbáxo da corôa, e coloquei a corôa de vorta na cabeça dela... Pidi perdão pra santa, mas ela como boa mãe ía mintendê.

O padre chamô eu, eu fui e fizemo a brincadêra... depois da aula eu pensei que a gente fosse limpá as image aí eu jogava o saquin-o no lixo, mais não, o padre chamô uns homezão grandão, que colocaro a estatua no lugá dela - me arrepiei... se esse saco caisse todo mundo ia sabê que butei meu mijo na cabeça da santa, e agóra, meu Deus.

O padre mandô nóis imbora e passei o dia pensano no que eu tin-a feito. Meu coração tava apertado... com meeeeedo. Aí eu pedi pra santa me perdoá e me curá desse mla de tanta mijadêra que eu sentia.

De noite, o tempo isquentô, isso fêz com que o saco na cabeça da santa começasse a suá, meu filho dixe pra mim onti que era uma tal de condensação. Pois é seu moço, o saco condensô, e suô, aí as gota dágua do suó do mijo escorreu pela cara da santa... desceu pela testa da virge, iscorreu pelos-zólho dela e todo mundo viu a santa chorano...

Todas as vez que fazia muito calô a santa chorava... aí o padre colocô aquela caxa de vrido arredó dela, pra ninguém toca na santa... e até hoje deve de tê imbaxo da corôa dela o saco.

Mais desde aquele dia 15 de abril que nunca mais fiquei mijão, por isso que digo que exe é o dia de protetor dos mijão.

Assim seu home e dona moça, pede pra santa que chora pro seu fíi dexá de sê mijão, que é capaiz dela atendê, como atendeu a eu.





Um comentário:

MUTUMUTUM disse...

Putz! Já fui mijão desse jeito, mas nunca a ponto de aprontar uma dessas. Kkkkkkk... a santa, então, chora urina :D

Aff! Tudo tem uma explicação científica, né? È a condensação...

Abraços o/