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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sem inspiração

Canto num canto qualquer
todos os contos e todas as contas do rosário,
todas as cintas do famoso cabaré,
canto as velhas melodias
em busca de novas inspirações.
Leio, releio, pinto, escrevo, penso em vão
porque não me vem nova inspiração...
Como gaivota e albatroz que aprendem a voar sem lições,
como as tartaruguinhas sabem o caminho do mar,
tão novinhas,
e pra onde devem voltar...
instintivamente componho
mesmo sem inspiração...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Fetiche

"Les Fetiches"
Fantasio meus fantasmas que no fundo sou eu mesmo e vou ao passado perdido tão vivido em cada segundo e não sei se o que vivo é o que teria vivido, mas sei acima de tudo que a magnífica mulher que em ti existe me seduz como tu és, e minha mente vigorosa cria situações no passado (que não posso mais viver) e projeta ao meu futuro sonhos pra fantasiar coisas de Eros e de Vênus em meus fetiches mais delirantes.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um dia após o outro

Minha veia poética anda meio obstruída não consigo mais transcrever para signos linguísticos o que vem de minha mente de minha vida e de meus esforços para ser compreendido ou descompreendido. Levo minha vida diariamente como quem leva o andor sério, quase sisudo, feliz pela caminhada e sentindo nas costas o peso de minha fé de minhas aspirações de minhas desilusões de minhas queixas e de minha própria existência. Como menino, erro sempre, como homem, assumo meus erros, e assim a cada dia que passa viro a página do ontem para ler o que o hoje me propõe.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que tens?

O que será que existe por baixo dessa pele nívea? será uma alma tão branca quanto a cor da pele anuncia? será sonhos tão claros como a neve denuncia? ou será uma alma mais escura que as intermináveis profundezas abissais? Quem habita abaixo desses negros fios de cabelo? um anjo em forma humana que não perturba mas que acompanha? uma criatura perfeita que de tão bela, não pensa ruindades ou maldades quaisquer? ou um demônio em forma de mulher, que só maquina coisas graves, que deseja o mal da humanidade, que pensa com egoísmo tudo o que faz? Quem habita essa mente? O que será que eu encontro debaixo desse peito humano? um coração saltitante, alegre, sorridente e falante? ou será que há somente, um coração duro e amargo, cheio de dores e fracassos? O que acredito exista é uma mulher nem alegre, nem triste, me vive e que não assiste de camarote sua própria vida. Virtudes e falhas a compõem e sua vida desmente seu nome, e honra sua existência.
O que tem certamente na mente, no corpo e no coração teus nada mais é que tu mesma, inegavelmente perfeita mesmo que com imperfeições, pois perfeita não é a pessoa sem falhas mas a pessoa que se conhece em si.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sorrir

A menina ria e brincava em seus lindos sete anos, e pulava e subia, cheirava as flores do jardim batia palmas pras borboletas e comia picolé ria pro pipoqueiro ria pro mundo... Um longo e forte vento balançou as copas e levantou poeiras... Iiihhh, o vento tirou o chapéu da menina que voou e caiu bem distante... mas o vento não balançou seus cabelos por que a menina feliz não tinha mais cabelos e seus cachos já sumiram mas ela era tão feliz tão feliz e alegre que no alegrava a todos só em ver a menina careca sorrindo

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Safira se questiona

Quem sou eu neste mundo que se esquece de mim? Neste nada que me esqueço de ser? Quem sou eu em teu coração e na tua mente? Que imagina o que és em mim... Quem saberemos ser, se somos tantos sendo nós mesmas As mesmas pessoas que nascemos que vivemos em nós todos os dias e sentimos todas as horas que mudamos de ser quem éramos... Se mudei não sou mais eu? Se sou eu mesma, como sou diferente? Mimetismo-me a cada rodada de cerveja a cada nova cara que vejo a cada livro que leio a cada poema que componho ou que não componho... Metamorfoseio-me em mim mesma e me pergunto cansada de mim e deste nada que me é tudo... canso-me de tudo, que me é nada... quem afinal sou eu para mim mesma? Meu, Deus, eu não me conheço!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Queda livre

Saltei de pára-quedas cortei as nuvens-algodão com a velocidade da queda o vento zunindo não me diz nada, conduzo meu corpo com pequenos movimentos... o pára-quedas não abre, vôo rápido e numa curva descendente miro canto algum, e... esbarro na parede vermelha de teu coração e percebo que nunca saí de ti

sábado, 14 de junho de 2008

Conduzindo-nos

Amo ter-te comigo minha amada que me ilumina e me mostra a estrada que me conduz suavemente como se eu te conduzisse, e nesse ir e irmos caminhamos juntos procurando meios de nos eternizar. Desgostos e desconfortos sentimos neste momento de nos conhecermos contudo a esperança do amor nos deixa mais firmes.

sábado, 7 de junho de 2008

Incerteza

O ruim de aguardar não é a espera é a incerteza. Como ter certeza se minha vida é tão cheia repleta de surpresas?... grande parte más... Nunca tenho paz, sempre tensão sempre amar errado sempre esperar quem não vem, ou vem, mas nesse esperar esse esperar não me dá certeza Sofro aguardando, querendo um sim só tenho talvezes, mesmo que sejam sim no final. durante toda a espera, talvez. Ter-te, enfim, comigo é o sonho, aguardar-te é o cochilo, a ânsia, a falta, a dor-de-cabeça, a incerteza.

Canto solene


Meu coração assovia nossa canção
em alto e bom diapasão,
silva a todos teu nome
depois se fecha e some

sábado, 31 de maio de 2008

A vida de Sergiolêncio

Núvens céu azul vento ar ar ar Pássaro pedra montanha pico dor ar ar ar Núvem saudade riso beijo abraço deuses demônios suor amor vento ar ar ar Beijo saída viagem avião passagem passagem táxi casa passagem quarto gemidos gritos suspiros gritos gemidos amante amigo traição pressa revólver sexo gemidos gritinhos disparos fumaça sangue silêncio morte passagem táxi avião ar ar ar Lembrança saudade lágrima ódio núvem altura vôo ar ar ááááhhh Pára-quedas telefonema latrocídio riso... alívio

terça-feira, 27 de maio de 2008

Meiassim

Ando meiassim seim sabê onde ficá, num sei se vorto pra casa num sei se me poin-o a vuá... num sei pra quê tanta istrada que leva a nin-um lugá num sei pra quê tanta gente pra gente num con-in-ecê nem pra quê tanta lágrima pra gente nunca chorá... Ando meiassim cun vontade de ficá bein quietin drento de mim que é pra eu num minspantá cuas coisa que vô vê naquele ôtro arraiá qui se chama de cidade e que leva a gente toda a tê baita vontade de vortá. Queruma vida quieta sem asfarto, treim ou moto, que num veja ôinbus nin-úm nem vião, nem o zocrópto... quero vê o sol nascendo por trás do jacarandá e de noitin-a siscondeno no fundo do lago, lááá onde pego meus peixin prum armoço de fartá... quero orvi o vento mexeno as fôia do coqueirá o chêro gostoso dos bicho lá drento do véi currá e aquele bolo-di-míi gostoso só de pensá cum um cafézin moído no arpendre do quintá... Ah como quero o balançá da rede cu-uns grilo a grigrilá, veno as maripôsa anunciando o chuvará e senti os braço gostoso da pessoa mais ispiciá vino divagar, meloso, abraçá, beijá, niná como se eu fosse criança pra do seu cólo quentin-o eu nunca me afastá!
- II -
Êta prédio disgracêra onde fui me arranchá, aqui só só un-as tranquêra, nem nome tein-o nesse lugá só me chamum de caipira olham pra mim de soslái mas quano viajum de féria e vêin pro meu rincão são ricibido bunito, cum riso, cumida e prazer purque cada um nessa terra só dá o que tem in ocê... Êta disgraça dusinferno aqui é tudo disgraça, gente cumeno gente numa ambição taman-i-a quinté parece os jacaré atacano garça cum fome, o egoísmo aqui reina e em tudo que é grande cidade só olham prus-seus-zumbigo e sisquecem que são gente neste mundo disgraçado.
- III -
Áh que saudade que eu tenho das noite no arraiá, das quermesse, das novena, das prosa, das carçada, dos riso sem cumpromisso das moça ino e vino, dos rapáiz só a zói-á e dos pai das moça de longe veno quem vai singraçá... da vida simples que um dia Bandeira achô de chamá de "vida besta", mas gostosa no meio dos laranja... a vida lenta e cherosa dos tempo que num vai vortá mas que nunca foissimbora purque de tudo o que há pra min-a mente cabôca
pudê se alembrá, é dessa vida simpres dos cumpade das amizade dos respeito e divisão que eu gosto de pensá. Ai que sardade taman-in-a será vô vivê pra um dia essa sardade matá? Ô essa sardade um dia me mata de tanto chorá!
- IV -
E a lua carinhosa, desceu um pouco esta noite e calma, risonha e marota deixou um anjo apear que veio devagarinho, à esteira de talício e deu-lhe um beijo na testa enquanto ele dormia... ele sonhou caprichoso que um dia voltaria pra casa e o anjo levou o velho pra visitar todas as terras e rever as pessoas só para lhe consolar... e a viola caiu do cólo, a baba caiu da boca, o corpo caiu na esteira devido tanta canseira. E quando talício acordou via-se de novo menino alegre, traquino e feliz, juntou seus panos de bunda e disse:
- V -
Não me confunda ó cidade, tá na hora d'eu vortá pro lugar em que deixei o meu coração, a terra natá, obrigado São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, obrigado Belo-Horizonte, Fortaleza e Natal, Florianópolis, Porto-Alegre, Brasília, Aracaju e Recife, Macapá e Porto-Velho, Rio Branco e Boa Vista, Palmas e Cuiabá, estô grato a ti também Vitória e Salvador, Goiânia, Manaus, Curitiba, João Pessoa, Maceió, Campo Grande, Teresina e meu gostoso São Luis, por receber todo dia milhões de Talícios que vêem de todo lugar dividino o coração ao mêi, e cum essas viage tôda aprendi uma côsa que levo no peito guardado e pra todo mundo insino: viver é nosso distino, e se gostamos dum lugar mais que de ôtro é disatino purquê o certo é saber que somo cidadão du mundo somo cosmopolita e im tudo lugar que habita um ser humano, intão, é lugar pra si amá e a todos respeitá, purque nossa terrin-a tumém tá recebeno gente nexe exato momento que vem de longe.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O ato


Nos espasmos que teus sussurros me causam
e nos arrepios que tuas mãos me levam
derreto-me secretamente em ti
que se expandes em mim
e te ocupo os espaços
rompendo e invadindo o caminho já preparado
com o tapete vermelho da sangria
escorres para que em ti escorra-me.
Em rompantes frenesis
te possuo, possues a mim,
dores, risos, contrações
indescritivelmente íntimas são as sensações
arfar, arfando, gemendo,
sussurrando coisas initelegíveis
vamos, vimos, não saímos, nem ficamos,
num abraço suado
os risos se formam nas bocas
que não se desgrudam de beijar...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Como guerreiro vindo de batalha e lança sua espada à porteira de seu sítio, lançando sobre a distante e bela casa o olhar tênue, choroso e fito... aguçando aos ouvidos à voz da mulher amada que em casa haveria à espera ficado com o coração a pulsar descompassado deita seu corpo débil na estrada, faço minhas idas e vindas a mim mesmo, lanço fora de mim a espada-caneta em sempre empunho e olho para mim, verme imundo e vejo, um homem desarmado, fraco, morto, em pensamentos funesto absorto, tendo certeza que melhor que ele próprio um aborto, pois sem dor, sem fadiga, sem amor e sem intriga viveria melhor e sairia mais de mim.´ ÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁHHHHHH, quem me ouve se grito para dentro e nem eu mesmo estou mais em mim...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sabendo-me


Meu, vô, meu pai, meu irmão
o mundo em construção;
ninguém constrói sua vida sozinho,
ninguém constrói-se só, também;
pudera saber quem eu sou
ou quem eu estou sendo
para me re-construir.

Quero saber quem eu sou para ti
saber quem eu sou em ti, em ti e em ti...
todos que lêem aqui
ou ali...
quero saber quem eu sou para mim.

Ah, como é bom saber-me mutante
e senhor de mim
podendo tornar-me no que quero,
tijolo a tijolo construindo a mim
e meu mundo
dentro e fora do que sou
neste constante por-vir.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Onde estou?


Eu havia estado onde meu corpo comparecia,
era costume meu viver comigo,
sentir minhas pernas me levando completo.
Minha alma e pensamento acompanhavam meu corpo,
era quase impossível eu não estar onde eu estava...
me sentia tão todo
me vendo e me sentindo no mesmo lugar...
mas meu mundo ficou pequeno
o pensamento ficou mais rápido que as pernas
eu não cabia mais em mim,
eu não estava mais comigo, viajava...
viajava sem sair e não me encontrava mais em mim
me perdia por caminhos que nunca pisara
mas sempre lembrava de voltar...
Vieste a mim
me levaste de mim
não sei pra onde fui,
mas sei que estando em ti
também me sentia completo
porque te trazia comigo,
o que de eu faltava e mim
eu trazia tu de ti para me preencher,
assim nos completávamos
e ficávamos inteiros
mesmo que distantes...

Sumiste de mim...
me deixaste na mão,
me deixaste sozinho
e levaste a minha parte de mim que cabia em ti
me roubaste, também, tu mesma de mim,
e ficou o vazio que me cabe
o vazio que te cabe
o vazio, desocupado,
que não cabe mais ninguém...
Não ando mais completo,
não ando mais comigo,
vou e venho de todos os lugares
contudo, tem uma parte de mim
que não está mais...
sumi de mim
e peço que se alguém me achar por aí
mande que eu volte pra mim,
pode ser que ela venha junto
e se não vier
é porque estou sobrando dentro dela.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Passeio

Ando pelas ruas devagar a vagar sem passos largos, nem curtos, com meus ouvidos surdos pra tantos ruídos que penso existir... O olhar, sim, está aceso como quem pratica um incesto com todas as minhas irmãs (e irmãos) que vejo na rua e aqueles que imagino e vejo em pensamento e os sinto tão irmãos filhos da mesma placenta, todos tão geminais. tão diferentes e tão iguais, com os mesmos sentimentos e procuras de segurança, de amor, e de dores que os motive viver (viver sem batalhas deve ser um saco!) (é um saco viver sem batalhas!). Ando sumindo pelas estradas que já andei, só eu sei pra onde vou mesmo sem destino certo mas só eu sei onde colocarei o pé no próximo passo mas nem percebo que ando... Nada procuro, só vago pelo mundo, devagar, divagando, rindo de histórias que nao vivi... devo estar bonito ou ridículo, porque olham para mim, mas tão distraído não sinto seus olhos e vagueio pelo recreio vendo, ouvindo, e enganando os órgaos dos meus sentidos não vendo, não ouvindo, não cheirando só andando, só... andando... quem não tem pronde chegar não tem pressa no andar... isso chama a atenção dos tão apressados, inutilmente apressados, que passam por suas vidas e não percebem como é gostoso as gotas do chuvisco escorrendo pelo rosto as gotas da vida escorrendo pela alma as gotas da saudade escorrendo pela mente as gotas do futuro escorrendo pelos olhos... ando feliz, sorrindo pra mim mesmo, devagar, só ando, sem chegar e sem parar...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

UM MÊS




Um mês desta amizade
tão sincera, tão cara,
tão querida, de verdade,
um mês de sinceridade
de tantas coisas pra tão pouco tempo
pra tão grande envolvimento
para tanta afinidade.

Que deus tão mau é este
“que mostra os vales onde jorram leite e mel”,
onde flores e cores nascem,
onde o amor, o apreço, o apego, são naturais
e brotam como plantas
“e esses vales são de deus”,
inacessíveis ao mortal?!

Te conhecer mudou meu norte
mudou meu ângulo de visão
e desejo como desejo
que esta mulher encantadora,
deusa e única
me seja a última
e o sentido de tudo o mais que farei.

Um mês somente,
30 dias apenas
e a imensidão do que sinto
crescer
que me amedronta,
mas como não sou covardeme lanço de cabeça.

VERDE DESCOLORIDO – ESPERANÇA MORTA


A verde esperança já não me aquece
está se descolorindo,
virando o azul e o amarelo
deixando em mim o flagelo
e a ruína
dos castelos que construí.

O azul do amor, divinal,
da sinceridade amiga
surge do verde
e fica
na contemplação platônica
enquanto te gosto como és,
com teus problemas e dores,
com teus medos e dissabores,
vejo, ou entendo, que já não estás
onde teu peito estava.

O amarelo da preguiça,
do conformismo, apatia
tenta me convencer o fracasso
do sentimento sem volta,
da solidão e tristeza,
para que eu não procure mais fantasias
mas seja duro como o cristal,
duro porém transparente,
frágil porém sólido.

Na junção do azul com o amarelo
o verde que se forma
junta a contemplação amarela
ao amor sincero azul
gerando a esperança
que quase não tenho mais,
só duas cores sem significado
que insistem em me colorir
no descolorimento do verde.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Encontrando

Como quem canta uma canção
te procuro suavemente em minha mente
menina-mulher-minha...
não minha porque te possuas
mas porque te me dás,
minha porque sou teu
e nos somos casal
e nos somos um
porque o amor
como cola, une
como droga, enebria
como o vento, assanha
como ele próprio, completa.

Distante de ti,
em minha mente estou perto
e te beijo
e te abraço
e te sou eu,
cheio de defeitos,
completo de falhas,
que amo e demonstro esse amar
de uma forma
inquestionavelmente sincera...
mas não estás, e estás,
e procuro a menina
que se esconde atrás do muro
que ergueu enre nós
para proteger-se de si mesma
porque o amar-sem-medida pode levar à dor
ao desconhecido
e te acho no meu peito.