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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Safira discute sobre o Tempo

"O tempo resolve tudo", "Deixe estar que o tempo lhe mostrará", "Nada melhor que dar tempo ao Tempo"... frases como estas e tantas outras depositam no tempo o destino das vidas, como se o tempo fosse uma pessoa, um indivíduo todo poderoso que determinasse o bem e o mal e o destino de todas as criaturas.
A personificação das coisas sempre tem ajudado o ser humano a conviver com seus problemas, medos, frustrações, ansiedades, perspectivas de futuro, etc... isso não torna as pessoas mais fracas, débeis, fragilizadas ou frágeis, nem fortes, potentes... são simplesmente formas das pessoas agirem e reagirem em relação às situações boas ou más que lhes sucedem.
Isto explica, em parte, a grande ansiedade e busca pelo divino, pelo sobrenatural, desde os primórdios tempos da humanidade.
Acredito, no entando, que o tempo não seja um ser, não seja nem um objeto, senão de estudo. O tempo é uma idéia, e como tal nasceu do imaginário do ser humano, talvez para auxiliar sua coordenação e ordenação de suas tarefas, talvez para aliviar seu tédio, talvez pelo simples motivo de alguns seres humanos terem a vaidade de querer se mostrar mais sábios e poderosos que outros, por isso criou a idéia de algo a que todos se submetessem, talvez, ainda, oruqe um Deus bom e misericordioso possa ter iluminado a mente humana para que este se organizasse e tivesse noção de sua finitude, para assim crescer.
Uma das maiores diferenças entre os seres humanos e os demais seres vivos da terra é a idéia de finitude, sabemos que teremos um fim, sabemos que tudo acaba (ou supomos isso), e isso nos faz procurar deixarmos nossa marca, nosso nome... quer em nossos feitos, em nossas idéias, ou palavras, ou até simplesmente em nossos filhos e filhas, mas a idéia de fim, de nosso fim, é uma das molas que nos faz crescer como seres humanos, e como humanidade.
A simples idéia do fim-de-nossas-vidas já nos faz pensar no que existirá depois, após cerrarem-se as cortinas de nossos olhos veremos que o alco não está atrás da cortina, mas antes... e a idéia da continuidade nos faz crer em re-encarnações, ressurreições, julgamentos divinos, vida-após-a-morte, a morte como passagem, semre nos dando a esperança de sermos como os animais, que não sabem de um fim.
A idéia, também de não sabermos resolver nossos problemas e que muitos deles se acomodarão em nosso consciente nos dando o sossego e a paz pela equilibração de sua existência, mesmo que a princípio não querida, mas assimilada, ou porque outras variáveis de nossa vida mudarão as situações ruins em que nos encontramos, nos faz depositar nossas esperanças, medos e desejos no tempo, no divino, no maravilhoso, no mágico, no inexplicável, no destino, como seres inteligentes, amigos e superpotentes, que nos ajudarão em nossas dificuldades.
Não, não quero de forma alguma dizer que traçamos sozinhos nossos destinos, nem quero condenar a idéia sobre o divino ou sobre o maravilhoso, mas quero alertar que depositar nosso futuro somente às mãos do tempo, pode nos transformar em seres passivos a tal ponto, que ao término de nossa vida, quando formos nos lembrar do que vivemos, veremos a vida de muitas pessoas, atos, palavras, mentiras, heroísmos de muitos, mas não veremos nossa vida... e perceberemos que fomos meros expectadores em nossas vidas e não os seus autores.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Mano Marcos

Eu sou um homem sem palavra, mesmo... olha eu postando... Mas, como não postar hoje, quando meu irmão completa aninhos? Há alguns anos eu o conheço, mas nunca o conheci de verdade. Isto sempre acontece entre irmãos em família numerosa - ele é o quinto entre onze. Capaz, ético, muito inteligente e possuidor de uma perspicácia invejável, sempre tem uma opinião sobre todos os assuntos, dos mais polêmicos aos mais pueris. Eu, como o oitavo nesta constelação de filhos, sempre nutri algumas admirações por cada um. Por Rodolfo, o Marcos do Esculacho e Simpatia, minha maior admiração é por sua intelectualidade e humor - com facilidade titânica em fazer amigos, sempre nutriu uma postura ilibada e ética. Marcos tem sido um marco, perdoe o trocadilho, e uma referência em nossa família no que diz respeito às artes e ao humor sarcástico... e foi quem me inspirou a iniciar minha vida de blogueiro. Parabéns, Mano véi, pelo segundo livro e por mais um ano de vitória, mas o parabéns deve ser maior ainda para todos os seus amigos, irmãos e mãe por termos a oportunidade de te termos estes anos todos... Grande e afetuoso beijo...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Plantão Bizarro

Neste plantão aconteceu algo tremendo, digno das páginas mais bizarras de Alan Poe: O caso veio à baila, quando na semana passada a mulher de uma vítima que não era doadora de órgãos se compadeceu quando viu uma senhora, mãe de três crianças, morrendo pela falta de rins. Imediatamente, a viúva me procurou e disse que queria doar todos os órgãos possíveis de seu marido e que não achava justo permitir que, por egoísmo, outras pessoas morressem: - Já que o corpo de meu marido não será mais útil para ele, nem para mim, que o seja para outros! E não encontramos mais os rins... em silêncio começamos a diligência para descobrir o que acontecia... O rapaz responsável pela manutenção dos elevadores, da câmara frigorífica, das instalações elétricas dos portões eletrônicos e da manutenção das câmeras de segurança construiu, sem ninguém saber, um pequeno necrotério, no qual guardava (muito bem acomodados e conservados) alguns órgãos, que ele roubava de falecidos e vendia. Algo muito bizarro, medonho, criminoso, desrespeitoso e... Ao conduzir os corpos ao necrotério do hospital, ele identificava de quais corpos iria retirar os órgãos, e com precisão cirúrgica os extraía e os acomodava imediatamente no gelo... Logo fazia contato com os compradores de órgãos que vinham de helicóptero ou jatinhos e levavam as frasqueiras devidamente lacradas para seu destino final... Ele não levantava suspeitas, pois era ele quem lavava os cadáveres e os vestia para colocar nos esquifes... Ao vê-lo sendo preso, havia indignação e asco nos olhares de todos nós do hospital

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ai, ai, ai...

- Há coisas que me preocupam: Ministro da Justiça fala em caça às bruxas, ou seja aos militares que torturaram durante o regime militar, porque eles cometeram "crimes comuns"...

  • êpa, tortura é crime hediondo, não comum;
  • ôpa, foi assinada uma Anistia (perdão) Geral (que contempla a todos) e Irrestrita (que perdoa quaisquer crimes cometidos) para ambos os lados: aos torturadores (militares) e aos guerrilheiros (militantes de esquerda e tal)
  • para a Justiça ser feita ou punem-se ambos os lados ou anistiam-se ambos os lados - os que torturavam em nome do Estado e os que roubavam e saqueavam em nome "do povo"
  • como já fazem vinte anos do final da ditadura, a maior parte da população ou não viveu aqueles momentos, ou era muito infantil naquele período histórico e político da nação, então acreditará em tudo o que a mídia e o Estado disserem sobre aquela época da história nacional
  • esta idéia tenha fim eleitoreiro e promova uma caça desmedida revanchista contra as fardas, e isso conduza a grandes injustiças sociais contra familiares de militares e simpatizantes do período do regime

Ontem um rapaz tentou assaltar um posto de gasolina em Fortaleza, populares começaram a espancar o assaltante que foi salvo da morte porque a PM chegou e o levou preso. Na reportagem um senhor disse que seu filho se atracou com o assaltante que atirou no jovem, e que teria sido melhor se a polícia não houvesse chegado, pois assim se ensinaria aos demais bandidos que não se deve roubar. O repórter disse que o delegado iria ver se indiciava o assaltante por roubo ou por tentativa de assassinato... aí pergunto, e o senhor que incitou o linxamento não deve ser punido?

Mãe, que cachorrinho bonitinho! É tão fofinho, tão pequenininho, tão inteligente... É mãe, é um pitbull, mas é tão fofinho... ele vai envelhecer comigo mãe seremos amigos para sempre - cães chegam à idade adulta bem antes que crianças e podem ser perigosas armas de matar, principalmente porque a inteligência animal é guiada mais pelo instinto que pelo raciocínio abstrato, que permite a previsão de fatos futuros

Quando proíbe-se a criação de pitbulls, estimula-se aos criadores solta-los às ruas, assim, evitam-se as multas... na rua, estes animais podem tornar-se verdadeiras máquinas de destruição quando a fome, o estresse, o medo e as agressões lhes sobrevêem

Estudo mostra que mais de 20% dos casos de abandono de crianças recém nascidas por suas mães têm relação às mães se descobrirem soro-positivas para HIV ou durante a gestação (pré-natal) ou no parto - caberia um estudo científico sobre esse assunto?

Mais de:

  • 40% dos partos no Brasil são de mães adolescentes (entre 10 e 20 anos), independente de terem uma relação sólida ou não com os pais dos bebês
  • 60% dos crimes de estelionato ocorrem entre parentes de 1º até 4º grau
  • 75% dos crimes violentos ocorrem por pessoas que não concluíram o Ensino Fundamental
  • 80% dos estupros ocorrem entre pessoas conhecidas
  • 85% dos acidentes de trânsito com morte são causados por motoristas com sua Carteira Nacional de Habilitação em dias
  • 90% dos jogadores de futebol profissional no Brasil não tem Ensino Médio completo
Autoridades brasileiras negam a a cusação da revista colombiana "Cambio" de que as FARC estariam infiltradas no "alto escalçao" da administração federal, do Poder Judiciário e do Partido dos Trabalhadores. Claro que o Governo negou que o ministro Celso Amorim tenha tido contato com representantes das FARC, como afirmou a revista. O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, classificou a reportagem como "fantasiosa".

Ai, ai, ai...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ai, ai, ai...


- A pedidos, o "Ai, ai, ai... tá retornando"

- Campanha de Obama mostra queda rápida, em mais de 5%... foi elogiar América do Sul, falar em aproximação dos latinos e ingleses... deu nisso... ele se esqueceu que americano não aceita estrangeiros...

- E por falar em xenofobia... mais um caso de país que não quer brasileiro por lá: governo alemão acusa brasileira grávida de 9 meses de querer dar "golpe da barriga", embora pai dela seja alemão e resida lá... casos de xenofobia contra brasileiros está cada vez mais frequente na Espanha e Portugal também... aqui não ocorre isso, élo contrário, damos o país pra eles comerem, beberem, comprarem se instalarem , lavarem dinheiro, pois (como dizia Kate Lira) "brasileiro é tão bonzinho" (pra não dizer bobinho)

- Budweiser foi comprada pela InBev (U$ 52 bi) - se não dar para vencer, nem se juntar ao adversário, compre-o - esta é a lógica do capital

- Me nego a comentar sobre Dantas, meu blog é coisa séria, não quero mais merda por aqui

- BBC Brasil informa que a população acha desemprego pior que viuvez... o velho Talício já havia me dito que "antes, um home murria, a muié ficava toda borocochô, triste como órfão no dia dos pai, pensano, 'que vai sê de mim, sem din-êro', mas hoje cum as pensão, com as aposentadoria... no dia asdispôis do interro, muié já tá pintada p´rocurando ôtro parcêro"

- Descobriram a pólvora: Sexo faz bem à saúde... desde que descobri que meu pinto servia mais do que pra mijar, tornei-me mais saudável - eu e TODO MUNDO (tem cada pesquisa tão óbvia: vou descobrir que se uma pessoa vidente abrir seus olhos verá o que está fora de si...)

- Outra: botox faz bem contra enxaqueca... mas é lógico, cara pálida, se sua auto estima está mais elevada, menos estresse - o mesmo se aplica à questão do sexo, acima

- 17% dos eleitores cariocas acreditam que TODOS os candidatos do Rio são corruptos... issome deixou uma dúvida: devo ir morar em Brasília, onde todos acham que ninguém é corrupto, ou no Rio onde a população tem consciência que vivem num covil...

Ai, ai, ai...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Um minuto de silêncio

Eu não fazia nada, naquele momento... só derrubei meu corpo enfadado de uma semana sem tréguas naquela espreguiçadeira... tirei os chinelões de preguiçoso... acendi um delicioso cigarro... traguei... respirei fundo e fiquei naquele minuto em zen, longe de tudo...
Não sei se pensava em algo, só sei que o céu estava lindo naquela manhã se terça-feira, o mar ia e vinha num balé eterno... aqui e acolá uma avezinha pescando qualquer coisa no chão recém molhado das vagas... uma outra respirada forte...
o vento nos coqueiros ao lado...
Hoje consegui sentir o sentido de cada letra da palavra espreguiçadeira... realmente pra se espreguiçar e ficar preguiçoso...
Telefone fora do gancho, celular, televisão, rádio desligados... a brasa corroendo levemente o papel e o fumo me fazia ver a fumaça disforme em mil formas subir e ser carregada pelo vento até diluir-se no muito ar...
Acabado o cigarro, juntei o filtro às cinzas no cinzeiro, virei-me para dentro de mim e dormi...
Senti cada um daqueles vinte e sete minutos, um minuto fumando, um minuto fechando os olhos e cochilando, um minuto dormindo, um minuto dormindo, um minuto dormindo... cada minuto como se fosse único...
E dormi preguiçoso, numa terça-feira em que resolvi cabular trabalho...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O mundo é econômico


Desde que o ser humano é ser humano, sempre procura suas seguranças: emocional, afetiva, espiritual e econômica - mesmo antes de saber ou teorizar economia (que ao pé da letra significa 'governo da casa').

Vejo pessoas falando sobre esportes (Copa do Mundo, Fórmula 1, Olimpíada), sobre cinema, televisão e outras formas de entretenimento, como se fossem as coisas mais puras do mundo e por isso se 'enojam' ao verem apelos econômicos sobre os temas. Outros falam sobre as indiscreções na política, nas artes, nas gestões públicas e privadas, e se irritam porque há favoritismos, nepotismo, 'vistas grossas' ou ações protecionistas, como se tudo isso fosse simplesmente a ou i-moral. Há ainda aqueles que tremem devido as guerras inacabadas e inacabáveis no Golfo Pérsico, na China-Tibet, Afeganistão, Chechênia, Bósnia, sul da Rússia, Iraque, em TODA a África, e não conseguem entender os porquês de tanta morte e carnificinas em todos os continentes. Outros, mais lights, se arrepiam pela quantidade de brilho que as peruas ostentam, pelas necessidade que alguns têm em usar grifes famosas, ou de frequentar ambientes claramente para ricos (aqueles que comem ovo e arrotam caviar), e não compreendem porque tanta necessidade de aparências.

A resposta para todos estes pontos é a economia, o dinheiro, a ganância... em tudo o poder econômico está imbutido, às vezes mais explícito, às vezes menos. Veja-se quantas grandes marcas brigam pelos direitos a patrocinarem as equipes esportivas ou programas televisivos... quantas emissoras ou companhias de comunicações guerreiam pelo direito de transmissão e de detenção do sinal.

Estamos à margem da Olimpíada de Pequim... a China foi escolhida por motivo óbvio - lembre que em 2000 Honk Kong passou do domínio inglês ao chinês, com isso a economia na China deu um salto enorme, e todo economista sabe que quem quer crescer investe. O Tibet reclama sua independência econômica e política da China neste momento, por motivos óbvios - estrategicamente este é o momento haja vista que os olhos do mundo estão voltados para questões humanitárias e concentrados na China, devido aos jogos. O Tibet sendo país, economicamente é mais viável.

Quanto aos boicotes que alguns países ameaçam fazer é puramente simbólico, fazendo cortina de fumaça para as reais intenções que são: mostrar ao mundo a preocupação com a situação da população do Tibet e dizer que se preocupa com a democratização do mundo, e por outro lado é o investimento em marketing, pois grande parte do mundo consome produtos de marcas com preocupações sociais.

Agir ideologicamente no mundo de hoje é uma grande falácia, com excessão de alguns colégios infantis, porque o fim de tudo é que o capital aumente e o lucro se instale, quer capital e lucro financeiro, quer humanitário, quer de status, mas sempre algo que possa ser avaliado e mensurado em moedas.

Portanto, meus amados e amadas leitores e leitoras, não pasmem ante atitudes que parecem i/a-amorais, porque o que versa as atitudes sociais, políticas, educacionais, individuais e coletivas é a ética capitalista e se você não age assim, saiba que você (assim como eu) é um alienígena neste mundo.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Bom dia


Hoje eu acordei como aquele personagem de Eddie Murphy, "O rei em Nova York":
- Bom dia sol, bom dia nuvens, bom dia chuva, bom dia relâmpagos, bom dia árvores, bom dia pássaros nos ninhos e pássaros caídos do ninho... - parecia um baitola, de tão feliz.

Mas acordar assim me é normal, não importa se segunda-feira, terça, sábado ou domingo... pontualmente às 5 e meia meu organismo me acorda... posso ter tomado um porre ontem, assitido filme até às quatro, torcido por Barrichello até as três em Melbourne, não importa: cinco e trinta, meu despertador biológico me chama, e acho um barato sempre acordar antes do despertador eletrônico... porque aí dou aquela espreguiçada até ele tocar.
Acordo sempre de bom humor. Não tenho motivos para tanta alegria, mas alegro-me por sempre estar bem com a vida, mesmo que ela não esteja muito bem comigo:

Estou há oito meses desempregado, já vendi o carro, cristais, mesa de mogno, roupas e sapatos italianos, minha televisão, meu dvd (pra que um aparelho sem TV para assistir?), até minha inseparável coleção de 1200 títulos de filmes que eu tinha em VHS e transfromei em DVD tive que vendê-los, para ter o que comer...
Não caí na idéia tosca que me deram de pegar dinheiro emprestado no cartão, como pagar? quebrei o cartão antes que as necessidades me tentassem. Descobri, com Sócrates, grande amigo de 2500 anos atrás, que não preciso de muita coisa pra viver...

Saí à noite compondo poemas, cantarolando em bares, fui gostando da vida noturna...

Hoje, segunda-feira, acordei às cinco e vinte e cinco, me deu uma preguiiiiça, mas como sempre levanto pontualmente às cinco e trinta, levantei-me mais cedo, para passar mais tempo sem fazer nada, a não ser compor, pintar e apreciar o belo dia nublado com o qual fui abençoado hoje... fui até à piscina e aqui componho este texto cheio de verdades e de mentiras (para deixa-lo mais interessante) tomo meu café da manhã, que nada mais é que um suco de laranja com panquecas (feitos por mim mesmo - adoro cozinhar), brinco no lap-top e vejo que minha vida semrpe foi excelente, mesmo quando passei severas privações, meu humor e alegria de viver não me deixam facilmente... então:

Lembrem-se que é mais fácil sorrirem para você se seus olhos estiverem sorrindo e...

Bom dia a todos e que tenham ótima semana !!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Safira fala de amar a dois amores

Uma amiga minha me perguntou na semana passada se era normal o que ela sentia.
Ela tem um namorado alguns anos mais novo que ela, formado, com salário decente (como ela também), excelente de cama, que não se envergonha dela, que viajarão pelo Brasil afora num pique-nique de longa duração. Mas ela também gosta de uma paixão antiga, que há anos não via e que reacendeu todo o ardor quando se viram.
Acho que Leontina ama aos dois. E assim respondi sua indagação:
"Agora você entende quando eu digo que se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo? Pode, podemos amar tantos quantos caibam em nossos corações, porque como as pessoas são diferentes, as expectativas que nos fornecem e os prazeres que nos dão, também são diferentes. Posso amar a morenice de um homem, seu cheiro e ardor, e posso amar a pele fria de um outro, seu cheiro de côco. Posso amar a pele branca e os cabelos loiros, ... posso amar a voz forte e o jeito falante, e amar o jeito calado e escutador de outro... posso amar a voz rouca e a voz macia de outro e ainda a voz melodiosa e gentil de um terceiro... quem criou as regras pro coração foi a sociedade, não eu, ou você! Nós criamos as regras para nossos quereres e amares...
Não se aflija pela indecisão: quem disse que temos que ter só um, se nós mesmos somos milhares?"
Acredito que assim como podemos gostar de churrasco e de peixada, de vatapá e de croiassant, de sorvete e de cachaça e de vinho e champagne, podemos gostar de Flávio, Alberto, André, Benedito, José, Antônio, Adamastor, Gregory, Scott... porque cada um tem seus defeitos e virtudes, seus sabores, seus doces, seus amargores, suas vantagens e desvantagens.
Uma coisa não exclui a outra necessariamente! Se gosto de rock não posso gostar de forró?, se gosto de Chico não posso curtir Roberto?, se gosto de vestir branco, não posso gostar de vestir preto?
As coisas não são necessariamente excludentes entre si, mas parece que somos reféns de regras sociais que diariamente legitimamos por nossa inércia pensante.
Ao nascermos grande parte das regras sociais já estão vigorando, então as assumimos como sendo verdades inquestionáveis, e não percebemos que a maioria delas foram criadas em determinados momentos históricos, em determinados locais, histórica e geograficamente bem definidas, contudo assimilados nos tempos futuros e outros locais, como sendo irrefutavelmente corretas.
Muitos que me lêem podem discordar de mim, mas não estou muito preocupada com isso, porque sei que é assim que penso, como sei também que muitos concordarão, uns explícitamente, outros mais comedidos esconderão sua concordante posição em relação a estas idéias, embora concordem comigo ou se questionem profundamente até onde estou correta.
Eu gosto de açaí com bolacha cream-cracker, tomo sorvete no uísque, vou pro forró depois de assistir a um recital no Municipal do Rio, ao chegar da balada ligo um Beethoven bem alto, vou pra praia de biquini.
Sou livre de atos e quereres... e se um dia minha liberdade for limitada por grilhões, minha mente me libertará...
Não curto regras que me colocam, por isso amo quem quero amar hoje, amanhã você pode ser página virada, mas hoje, neste agora, és o amor de minha vida, e daí!!
Somos mamíferos, não esqueçamos... na maior parte das vezes agimos como mamíferos domados pela sociedade que criamos e que nos cria, criamos regras sociais que nos regram socialmente...
Feliz era Luz del Fuego, que em sua ilha era presidente e legisladora, pena que numa época mais preconceituosa que hoje.
Amamos não porque nos amam, mas porque nos sentimos bem amando, então se um amor não te faz bem, questione até onde isso é amor.

quinta-feira, 6 de março de 2008

SEM TERRA


Gosto de refletir sobre o que nos acontece, enquanto seres sociais. Eu nunca soube de uma revolução, em nosso velho planeta, que tenha sido encabeçada e dirigida e comandada e financiada pelos pobres e pisados da sociedade.


Revolução Russa, militares; Revolução Francesa, burgueses; Revolução Chinese, militares e clero; Revolução Cubana, militares e classe média (lembrem que Chê era médico e Fidel militar - classe média)... a população pobre, descontente é inflamada pelos discursos dos pensantes da revolução, e usados como bucha de canhão, num português politicamente correto "massa de manobra". Depois de derrubar-se quem está no poder, os intelectuais do movimento - a classe alta dentre os revolucionários - assumem o poder, e aos pobre Ó: ferro neles.


Claro que para se manter no poder, essa nova elite (que é a ex-classe média) dará aos pobres algumas garantias sociais, algumas mgalhas de cultura e lazer... e o governo e discurso populista passa a vigorar.


Com a desculpa de que a reforma agrária no Brasil é lenta, o Movimento dos Sem Terra se manifestou a partir da década de 1990 com a proposta de invadir propriedades improdutivas, como que forçando o INCRA a se manifestar, comprando a terra e doando aos agricultores insatisfeitos.


A Pastoral da Terra tem dado muito apoio às comunidades de colonos que brigam por essa terra, inclusive permtindo e promovendo reuniões e movimentos em prol dessa reforma. Vi nos muros nternos de uma dessas pastorais a seguinte pixação: "reforma agrária, na lei ou na marra!".


O movimento aumentou em número de engajados, de militantes e de simpatizantes, contudo tem perdido seu foco inicial (ou ao menos o foco que mostrava à população e à m[idia, pois entendo que o foco do MST desde o início é uma revolução armada).


Hoje já não invadem somente propriedades improdutivas, mas fazendas com gado no pasto, matam o gado, pilhm as oficinas das fazendas, agridem tabalhadores da fazenda, queimam e destróem plantações, alegando que têm direito à Terra - e o proprietário legl, que pagou por ela, que a cultia, que nela investe, não tem direito à terra?


Vemos uns bostinhas que se dizem intelectuais apoiado ideologicamente o MST, mas são professores universitários, ou acadêmicos, ou estudantes secundaristas, ou... ou... mas sempre pessoas que NADA TÊM A VER com o movimento em si, nunca fram nem serão agricultores, mas se engajam na luta teórica porque dá status na academia ser reolucionário, impressiona aos alunos um discurso enfático e muitas vezes faz com que os governantes os vejam e os "comprem" com bons cargos e excelentes salários e mordomias.




Eu estou querendo um carro, um paletó, saptos sociais novos, óculos escuros e uma mulher bonita para amar e apresentar aos amigos e, rincialmente, inimigos como meu troféu particular, então, usando o mesmo raciocínio do MST, já sei o que farei:


1. invadirei uma concessionária da Citröem e pegarei X-sara; ou da Toyota e pegarei uma Hi-lux;

2. Assaltarei no Iguatemi a loja da Armani, e pegarei um excelente terno, um maravilhoso sapato e óculos D & G;

3. depois sequestrarei uma dessas modelos bem feitas de corpo, ou diversas, e manterei um harém particular com elas...


Sim, pois se invadir terras, saquear, pilhar, matar animálias que não são suas, não são formas de crimes, então assaltar lojas para pegar coisas que acredito que precisarei também não é, nem sequestrar uma mulher que acredito que não conseguirei seduzir, também não é crime!


Invadir propriedade rural é crime, e normalmente vem acompanhadas de outros crimes,


Pensem: até onde minhas necessidades ou desejos justificam minhas atrocidades!!?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Dilma, Dilma, por que estás assim em tanta evidência...

Foto de Sérgio Lima/Folha Imagem
Você já pode ter se perguntado: porque a Dr.ª Dilma Rousseff está em tanta evidência no cenário nacional?
- Por que é Ministra da Casa Civil? Não, afinal esse cargo existe há mais de um século e só esteve em evidência no tempo do Dirceu e agora;
- Por que ela é loira? Não, quantas loiras exietm no Brasil e mais bonitas que ela!
Vou lhe dar uma série de pistas:
1. o PT não tem um nome para concorrer à Prsidência em 2010, tinha o Dirceu (que está encrencado na Justiça) e o Markezan (mas é muito técnico e o PT não gosta muito de gente séria);
2. a população de eleitoras é superior à população de eleitores masculinos, em todas as faixas etárias e classes sociais, em especial entre 25 e 35 anos de idade e da classe média e alta. Ou seja, a população que mais forma opiniões no Brasil hoje é a feminina;

3. as eleições norte-americanas tem uma marca diferente que é a concorrência de uma mulher. De alguma forma isso poderá influenciar as decisões no Brasil, depende como a mídia e a propaganda trabalhe...
Matou a charada? - Provavelmente todos os poderes e holofotes estão sobre a Dilma para que ela seja a "candidata natural" do PT à Presidência...
Devemos ler o que não está escrito, porque sempre tem alguém escrevendo a História das nações

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Incêndio

Hoje eu sofri um incêndio...
quando eu menos esperava, surgiu em minha frente a mulher que amo...
seus olhos me incendiaram a alma e o coração...
senti-me em brasas
e sei que não consegui desfarças as nuvens ardentes que jorravam de minha pele,
e a brasa que fogueava meu olhar.
Veio-me o calor na alma,
nas mãos e nos pés...
tanto calor,
todo o ardor de amor veio-me de surpresa,
que não consegui conter...
pasmei...


Dizem que com o tempo e a convivência o amor esfria...
sim,
esfria se não soubermos aquecê-lo sempre,
por isso que digo que
nem parecia que somos casados há 27 anos!
(A imagem foi colhida deste endereço: http://www.carlosmourao.blogger.com.br/Rodrigo.jpg )
Esta postagem merece uma explicação: muita gente que nao conheço bem pensa que sou casado há anos, e os que me conhecem me indagam porque este poema. Quando fiz meu vestibular (em 1980) o tema da redação era "Incêncio", e fiz exatamente isso, falei de minhalma que se incendiava todas as vezes que a amada me aparecia, embora fizessem 40 anos que estavamos casados... é um poema "mentiroso", mas que pode ser verdadeiro para muita gente...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Excluídos Sociais

Quando penso no termo excluídos socialmente, não posso deixar de pensar quando surgiu, em meados da década de 1980, no auge da implantação da verborragia da mundialização e da globalização, sistemas identificados pelos governos como formas de pensar-se no Estado-mínimo, racionalização fiscal e eficiência do Estado (não confundir eficiência com eficácia). Isso me faz pensar que não existem os tais excluídos sociais. O que existem são os excluídos ou impedidos a acessos aos meios de comunicação, aos serviços públicos e a condições ideais de vida, alimentação, educação, etc? Na sociedade o que chamamos de excluídos são, na verdade, os marginalizados. Não são excluídos da sociedade, uma vez que estão na sociedade e têm inclusive, seu papel definido. Os milhões de pessoas que vivem abaixo da chamada linha da miséria servem como alicerces dos discursos. Os governos do mundo todo, e os pretendentes a assumir estes governos, se valem destes que vivem à margem da dignidade humana quando querem mostrar projetos e programas para erradicar a pobreza e a miséria. Valem-se das imagens das diversas etiópias existentes para discursarem que são sensíveis aos problemas sociais e que possuem fórmulas mágicas para solucionar todas essas mazelas. Os que não têm emprego, nem estudo, nem fonte alguma de renda, que foram gentilmente (eufemisticamente) batizados de excluídos, para não chamar indigentes, têm até uma função ideológica. Imagine a pirâmide social, mundialmente conhecida. Nela vemos as classes divididas em extratos bem claros e definidos, e isso nos dá uma noção de muita gente, porque são intitulados “classe social”. Se àqueles que estão completamente à margem dos sistemas, que não são reconhecidos como cidadãos, por serem tão pobres e tão sem expressão, sem quem os veja e principalmente os defenda, forem tratados como uma classe social dar-se-á a idéia de muita gente, então fala-se em excluídos, como que falando de indivíduos, pontual e particularmente, atribuindo a condição de marginalidade a sujeitos, enquanto que se falar que existe a classe dos marginalizados, se estará dando a noção de população. Os programas televisivos que dão prêmios a gente "menos afortunada", que pagam suas dívidas, que reformam suas casas e carros, que dão prêmios milionários para uma pessoa, mostram à população a miséria daquela pessoa, como se fosse um naquele estado... não se preocupam em mostrar que o problema é muito, mas muito maior mesmo e que milhares, senão milhões, de pessoas vivem em condições sub-humanas. Negam a existência dessas pessoas, enquanto grupo ou classe social. Como aos governantes não interessa as informações de muitos descamisados, sem-teto, sem casa, indigentes e marginalizados de uma forma geral, utiliza-se os títulos de excluídos, contudo sempre que posso conclamo aos meus alunos de Filosofia e amigos em geral que observemos a linguagem dos governos para termos real certeza do que está por trás dela. Nós que temos computadores em casa, acesso à Internet, cama pra dormir, almoço e janta todos os dias deveríamos ohar um pouco mais para os que não têm. Já perceberam como seu lixo é rico de produtos alimentícios? Já vi pão, no lixo. Pão, que pode ser aproveitado na íntegra como torrada, farinha de rosca para milanesa... Já percebeu que o que sobra em sua panela e vai pro lixo, daria para encher uma ou duas quentinhas, que você poderia, no caminho do trabalho, dar para aqueles meninos que ficam no sinal, ou àqueles que sentam sob os bancos das praças na qual você passa todos os dias e finge que não vê! Quem tem e não distribui está negando seu papel humano de ser-humano. Mas muitas vezes ficamos tão medrosos destes pobres e coitados que nada fazemos para alimentar um pouco sua auto-estima e seu estômago. Não devemos esperar por um milagre social, se queremos que acabem-se os mendigos, se queremos que o Brasil seja socialmente comparado a uma Suíça, devemos cada um de nós fazermos nosso papel de humanizador, divulgar para amigos e inimigos o que podem fazer, sem sermos chatos, só fazendo, sem querer trocas, mas por sabermos que eles são seres humanos, com almas, sonhos, sentimentos, dores e alegrias como nós. Não, não existem excluídos sociais, existem, sim, e muitos, aqueles que nós marginalizamos por nossos egoísmos e preconceitos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Lavando o banheiro



Quando eu era menino, me enfurecia com meus irmãos e vez por outra eu ía pro castigo. Minha mãe, algumas vezes me trancava no banheiro. Como não sei ficar parado, aproveitava que iria ficar lá, então eu o limpava: lavava as lajotas, pia, etc.
Hoje resolvi lavar o meu banheiro, como fazia naquele tempo, e terminei fazendo uma analogia com a minha vida.
Quantas vezes olhamos prum ambiente e o achamos limpo! Mas quando começamos a lavar, a esfregar, e a jogar água, percebemos que havia muita sujeira por toda parte. Mas como a sujeira acumulava-se lentamente, nem percebíamos que havia tanto sujo, até o momento da limpeza. Vemos a sujeira saindo e escorrendo pelo ralo, junto com a água e a espuma amarronzada. Depois de feita a limpeza, nós, os que limpamos, percebemos a diferença entre o banheiro sujo e o banheiro limpo, mas a maioria das pessoas nem percebe a diferença.
Em nossas vidas acontece o mesmo. Olhamos para nós e nos julgamos limpos, porque as sujeiras de nossa vida vai se acumulando lenta e constantemente. Sem nos darmos conta, vamos acumulando palavras que ferem aos outros, atitudes egoístas e egocêntricas, decisões que magoam. Sem perceber somos às vezes desleais e mesquinhos, agressivos e vingativos...e vivemos nossas vidinhas como se nada disso existisse.
Mas se um dia paramos pra fazer uma faxina em nossa consciência e em nossas relações com as demais pessoas, ficamos estupefactos com a sujeira que escorre na água dos questionamentos. Não percebíamos quantas injustiças fazemos diariamente, quantos atos i e a -morais, quantas palavras hostis e atitudes impensadas, ou irracionais, quantas agressões por gestos e palavras, quanto egoísmo, preconceito, indiferença... que quase teremos nojo de nós mesmos.
No fim, quando conseguirmos perceber tudo e nos livrarmos de quase tudo e pedirmos perdão aos outros, veremos que as pias, latrinas e lajotas de nossas vidas estarão mais limpas. É certo que as pessoas com quem temos menos contato nem percebam quanto estaremos mais limpos, mas o que realmente importa é a gente saber que estamos livres das bactérias e fungos que nos poluíam.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Discurso e Prática



Vejo que muita gente tem um discurso muito distante de sua prática. Claro que não digo que existe distância entre teoria e prática, porque em relação à conduta social isso não só é improvável, como é quase impossível, pois atitudes humanas são realizadas de acordo com as teorias que o ator defende, ou vive.
A pessoa pode até desconhecer isso, mas certamente ele vive de acordo com o que pensa, por mais que seu discurso seja diferente dessa prática.
Nesta época de carnaval percebe-se isso de forma mais clara, pois inúmeras pessoas que discursam que não gostam das festas mominas, não rejeitam o convite para um baile carnavalesco.
Da mesma forma vejo pessoas discursando contra corrpução, falta de ética dos políticos ou de funcionários públicos, e falta de compromisso dos professores, etc, etc, mas... quando vemos sua prática... vejam esses exemplos:
  1. certa vez durante um comício a candidata à prefeitura de Fortaleza bradava: "Fora essa corja de corruptos que fazem da coisa pública uma grande vergonha!!", aí eu indaguei aos colegas: "-Sim, mas se eu fosse deputado e propusesse para vocês uma quantidade imoral de reais para vocês votarem em mim, ou lhes desse um emprego na assembléia pra vocês não fazerem nada, quem não aceitaria?" - todos os 15 calaram, aí sentenciei: "Fora a corrupção porque não é com vocês..." - isso foi na década de 1980;
  2. na década de 1990, estávamos entrando em greve, e os discursos populistas e socialistas estavam muito em voga, principalmente os socialistas: direitos iguais, isonomias de direitos e salários, etc, etc... então convidei as pessoas do movimento grevista para fazermos feiras e distribuirmos sistematicamente, mês a mês, para famílias que eram vítimas da seca e da má gestão. A maior discursante sobre o socialismo e o cubanismo para o Brasil disse: "qual o quê, o meu dinheiro eu ganho com muito esforço, não vou ficar dando cesta básica pra esses preguiçosos"; aí, atirei: "Ah, então a teoria que te embasa não é o socialismo (que defende distribuição igualitária de bens e direitos), mas o capitalismo e a propriedade privada, mas o que te incomoda é que você ganha pouco!";
  3. vi um professor de sociologia e filosofia querendo chamar a atenção dos alunos para levarem a sério os estudos, e disse algo mais ou menos assim: "Olha, eu não preciso estudar essa matéria porque eu ja sei, vocês é que não sabem... eu não tô nem aí se vocês vão ou não aprender qualquer coisa, o que eu quero é meu salário no final do mês";
  4. e, por último, é lamentável saber que a maioria dos brasileiros se indigna com todos estes escândalos, do mensalão aos cartões corporativos, mais por não fazerem parte dos esquemas do que por achá-los errados...

Você ouviu ou viu neste feriadão alguma notícia sobre política, orçamento, corrupção? até os cartões estão sendo trocados pelas coxas e bumbuns do carnaval! E pode ter certeza... os ladrões que dizem que "usaram mal os cartões" vão querer "devolver parte do dinheiro".

Minha filha tem 15 anos, se ela usar mal um cartão de crédito caberia uma repreensão, mas um monte de adultos, acostumados a especularem nas bolsas... pô eles e elas não são cidadãos comuns, são os gestores do quinto maior país do mundo, do maior país da América Latina, responsáveis pela vida de 200milhões de pessoas, se não sabem usar um cartão de crédito??!! Será que sabem cuidar do país...

Todas estas coisas e muitas outras é que me fazem sentir a necessidade de alertar quanto à distância entre discurso e prática.

Cuidado, meu povo, este ano é ano de eleições municipais, não escutemos tanto os disccursos, conheçamos melhor a vida deles!!!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Safira desatina...

Quem nunca cometeu um desatino?!
Meu Deus, eu sou uma das pessoas que, certa ou provavelmente, mais cometo desatinos na face da Terra. Primeiro, porque sou meio relaxada em relação às opiniões alheias - não ligo se dizem que sou feia, se meu cabelo não combina com meu rosto, se a blusa cor-de-rosa não cai bem com a saia amarela e coisas desse tipo; Segundo, porque sou bonita, meus metro e sessenta e cinco, meus seios médio pra grande, minha cintura afinada e meus lindos cabelos com leves ondulações, sempre me abriram muitas portas, e fecharam tantas outras (ser bonita, às vezes é um pecado), mas ser bonita e vistosa sempre chama muito a atenção onde passamos e entramos; Terceiro, porque sou mulher - e há coisas que são imperdoáveis para uma mulher.

Cometo desatinos também em cerimônias, como estar tão distraída que na hora de cumprimentar a viúva, no velório, dei-lhe os parabéns! Tentei remendar dizendo "por Deus ter lhe dado a oportunidade de viver com ele durante estes últimos anos", o remendo foi pior, porque viveram juntos quarenta anos (não últimos - que trata sempre de uma referência aos poucos últimos) e segundo porque nos dois últimos anos estavam separados, porque o safado do meu tio tinha arrumado uma amante.

Mas é na vida amorosa que mais me embaralho. Eu sempre disse que nós deveríamos nascer com um manual de instruções, mas não existem fórmulas, não existem caminhos exatos, não existem certezas... aí, me estrepo toda. Amo, me entrego, me decepciono, sofro, me afasto. Juro nunca mais ser de ningupém... aí vem uma cara legal, amo, me entrego, aí percebo que o cara não é tão legal assim (normalmente ele pensa que fidelidade é uma palavra feminina, e por isso deve constar somente no dicionário feminino, e nunca a adotam), então me decepciono, sofro, me afasto ... tudo de novo... Interminavelmente, repetidas vezes...

Mas são essas coisas que são inusitadas, que são, às vezes, erradas, que nos colocam em situações cômicas ou em saias-justas, que nos farão no futuro, quando estivermos velhos e mais sem paciência para as besteiras dos outros, percebermos que vivemos; e riremos do ridículo que fomos, e agradeceremos a todos pela paciência que tiveram em nos suportar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Safira dorme



Ááááááhhhhhh... que sono! Meu povo, me desculpe, mas parece que hibernei um inverno inteirinho.
Estive fora do ar por alguns dias, problemas de net. Aí aproveitei e fui viajar. Comecei aqui por perto. Fui à praia, mas o tempo tava tão chuvoso que preferi viajar ao Nordeste, dizem que lá é verão o ano todo, fui. Peguei uns poucos trocados que tinha, ousei pegar um avião, arriscando a crise do tráfego aéreo e cruzei o país de sul a norte.
Escolhi Fortaleza, na sorte, e porque o próximo vôo iria pra lá - os vôos para Recife ou Salvador só sairiam no dia seguinte e eu já estava ficando ansiosa - e os noticiários informavam que não estava havendo caos em três aeroportos no Brasil, neste final de ano, um era aqui, outro em Fortaleza e outro em Manaus.
Bolsas e malas prontas, afinal, mulher que se preze não viaja sem uma bolsa de princesa, para manter a beleza em dia, embarquei. Passados os medos e transtornos da viagem, cheguei à capital cearense.
Fui a um hotel indicado pela companhia aérea, na beira mar... a viagem foi uma delícia... cinco dias na "Terra da Luz" me rejuvenesceram alguns belos anos, tudo muito lindo e fofo.
As praias são lindas, e há uma beleza que não se divulga tanto quanto as praias, são as serras. Estive no Museu do Ceará e no Centro Cultural Dragão do Mar. Neste último visitei os três museus e me encantei com o Planetário e com a Casa do Vaqueiro, vir à Fortaleza e não conhecer a Casa do Vagueiro é sair devendo algo para si mesma.
Fui às praias do Futuro, Caponga, Águas Belas e às falésias do Morro Branco, em Beberibe... tudo muito encantador. Subi às serras de Guaramiranga e Baturité, tomei excelentes vinhos no mosteiro... e fiquei sabendo que estas serras no carnaval recebem um carnaval cult, tem festival de jazz e blues durante todo o carnaval... mas não tem como se hospedar, porque começam a fechar reservas em agosto... só com muita sorte dá pra se conseguir hospedagem nessas maravilhoss pousadas neste período em 2008. Mas este festival já é antigo e tradicional, certamente não acabará logo, e vou fazer o possível para no ano que vem vir aqui.
A culinária também é deliciosa no Ceará, as lagostas não são caras, comi muito camarão, moquecas, carangueijos, carne de sol e baião de dois (excelente mistura de arroz com feijão, queijo e temperos caseiros), e provei uma lingüiça caseira fa-bu-lo-sa...
As noites no quarto do hotel é que eram muito longas. Senti falta do amor passado, como sei que era inviável, senti falta de todos os amores do passado, e senti mais falta ainda do amor futuro.
Encontrei-me um pouco neste final-início de anos e trouxe algumas coisas como lembrança além das trocentas fotos que enchi os cartões da máquina digital e do celular, umas garrafas com areias coloridas que desenham casas, uns bordados lindos feitos à mão e na minha frente por uma bordadeira no Mercado Central de Fortaleza, e cinco litros de cachaças, duas de marcas famosas locais e três garrafas de alambiques domésticos, muito mais fortes que tudo que já havia provado.
Ontem, achei de bebericar um pouco daquela "serrana" (como chamam lá) e fiquei completamente fora de mim, que se alguém tivesse me dito que me viram subindo pelas paredes laterais do prédio em que moro, teria acreditado - pois pelas paredes do quarto já estou subindo todas as noites -, sem álcool.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Ufa!!






Rapá, cê viu aquela mina que chegô nas parada?
Aquelalí com um decote do tamanho do túnel reboças... é... só a coisa, vei rebentá!
Vamu lá dá umas parada na dela?
...
E aí gata veio pro agito?
É isso... vamo lá pra pista que o som tá manêro?
Tá fria? Quer umas birita pra aquecê? Tomaí, é um uísque legal...
Sei não, se é legítimo, mas que é bom é... tôm...
É bom mermo...
...
Gustêncio, e o seu? Mira! Jóia...
Ó quei, vamu... e a amiga vai também?
...
...
TÁ BOM... O SOM TÁ MUITO ALTO
ALI, Ó... LÁ... LÁ...
...
É aqui tá mais calmo mermo...
Se eu tenho bagulho?
Têio... Que vai sê?
Tenho pó, pedra, erva...
Daqui e a turca...
Lá... ali, no baiêro...
...
Mira, tu é escolada hein... Mil anos...
Tó...
Eu preparo, sim...
...
Olha o cachimbo do Satã!
...
O quê, tu é cana?!!!
Tô fudid mermo?
Que é isso mina, se eu saí daqui levado por tu vai chovê bala no pedaço...
Hã... Corta esse papo, meu...
Ei... e vocês... que é isso pessoal?
Tira a mão de mim!
Que negóço é esse de pulsêra, vou botar algema não...
Devagar... êêêpa, peraí... eu sô gente bem, vocês tão engana...
Ui... ai... uuhhff... ááái... uuhhf, huum...
Calmaê... ái!!!
...
...
Seu dotô eu tava na boate e esse pessoal plantô isso aí em mim...
Tô limpo...
Quê, tarficante, tá ficando é doida... sô só um cara da noite, aê...


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Uááááhhh
Que sonho esquisito meu Deus,
Deve ter sido porque eu falei que estava cansado do seminário e deveria curtir mais meus vinte anos, ir pra boate e curtir o que as pessoas curtem...
Valha, meu Deus!!!
Me perdoe, eu vou é rezar...
...
"Ave Maria cheia de graça..." (mas aquela policial disfarçada era uma gata, áááffff)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O silêncio


Tem silêncio que incomoda, tem silêncio que contagia, tem silêncio que nostalgia qualquer um...

Há silêncio sepulcral, que amedronta, atemoriza, dá frio na espinha.

Há silêncio entre amigos que diz mais que mil palavras; silêncio que abraça, que acaricia, silêncio que silencia a gente na hora de fazer besteira.

Muito nos fala o silêncio, muito nos fala o calar, o dizer com olhar, o dizer sem dizer, o deixar-se entender...

Há vezes que olhar o por do sol, ou a aurora, ou um ato qualquer, o admirar, o pasmar, não precisa palavras, e nos surge o silêncio contemplativo...

Quantas vezes alguém quer fazer algo como se fosse a coisa mais essencial de sua vida, o fazer seria sua cartase, e calamos, damos de ombros, ou se calam para nós, dão de ombros para nós, num interpretar com quase mil palavras um silêncio de palavra alguma.

Um beijo não tem palavras, nem que o defina, nem que o ensine (alguém já ensinou alguém como beijar?: abra a boca suavemente e a encoste na boca do outro, aí num leve movimento de respiração, introduza a língua... que é isso!!!) o beijo é silencioso; estralado, mas silencioso; úmido, encharcado, mas silencioso.

Quando tormentas nos vêm, um amigo real, um abraço, um apertar a mão, um ficar calado imóvel do lado, já compartilha tanta coisa, sem dizer nada, dizendo tudo.

Às vezes o silêncio é tão grande que quase dá pra ouvir as lágrimas escorrerem na face.

Às vezes o silêncio é tão grande que incomoda, que perturba.

Mas é no silêncio do silêncio que conversamos com nós mesmos, pode estar torando a maior guerra lá fora, tocando o maior rock, Mahalîlla (http://www.mahalilla.com.br/) pode estar tocando em sua maior inspiração, e dentro de nós estar o silêncio que faz com que nos encontremos, que encontremos o outro, que percebamos nossa magnitude e nossa insignificância.

O bom do silêncio é que tudo isso pode ocorrer no barulho, na bagunça... num momento silente da alma.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A maldição de ser bonita


Tanto homens como mulheres trazem formado o estereótipo no qual quem possui beleza física não pode ser inteligente, principalmente se a beleza tiver um forte efeito de sedução.
Vemos muitas belas mulheres sofrendo o estigma da beleza, mulheres inteligentes, alegres, bonitas (muitas delas lindas), capazes, práticas, etc, etc. Mas encontram-se fristradas por não conseguirem espaço digno de sua competência profissional.
Quando seus patrões são homens, muitos procuram logo "tirar uma casquinha", ou promover o mais rude e descarado assédio sexual. O machismo deles faz com que sempre olhem para as mulheres como excelentes pedaços de carne que andam, riem, cheiram bem e transam. Estes exemplares da espécie humana (se os trato como animais, é porque não passam disso: mamíferos) ao olharem para uma mulher tiram as seguintes conclusões:
- se ela encara - ganhei, essa encara a gente de frente;
- se ela fica rubra e abaixa a cabeça - essa é minha, olha como ficou tímida, já ganhei;
- se ela o encara - ooba, decidida, ganhei essa;
- se ela o afronta "qualé meu!" - tá violenta pra esconder, né, safadinha, já ganhei também;
- se ela nem olha pra ele - esnobe, quem desdenha quer comprar, ganhei;
- se desvia o olhar - é tímida, por quê? porque já ganhei;
- se ela diz que não se interessa por homens - tá fgindo de quê, você precisa é de um homem como eu;
E assim, estes homens tem suas mulheres como troféus.
Se o patrão da mulher bonita e inteligente for uma mulher, a concorrência entra em campo. A patroa vai procurar defeitos de todas as formas, física, emocional, intelectual... e se não achar tais defeitos, a coitadada mulher bonita tá perdida! E ainda corre o risco da patroa dizer que ela está usando roupas provocantes, dando em cima dos funcionários, ou pior, de seu marido...
A gente vê o estereótipo bem presnete quando alguma aluna bonita desenvolve um bom texto, ou consegue decifrar bem Espinoza, Lacan, Voltaire, Comtè, Gaddamer etc, e vemos na cara dos professores aquele olhar incrédulo "de quem ela pescou isso??!!"
Meninas e mulheres, que as pessoas com quem vocês estão ou estarão valorizem seus dotes intelectuais, porque não há nada mais belo numa mulher que a inteligência, pois todos, todos os corpos envelhecerão, todas as peles enrugarão, todas as musculaturas ficarão flácidas e se forem inteligentes todas as mentes amadurecerão.
Nós não somos as cascas, somos o recheio. Os corpos são as embalagens, o recheio é que somos nós. O que adianta uma bela embalagem de um flan de bosta??
Quem pensa que Vinícius acertou ao dizer que as feias que me desculpoem, mas beleza é fundamental deveriam assistir "Vanila Sky", vejamos o que realmente é belo e definamos o que é efêmero e o que é real.