segunda-feira, 7 de julho de 2008

A ausência de Talício

Eu só quiria dizê procês que me lê dinveiz inquando, que eu tô mei distante de falá de eu, pro-mó-de-quê cunheci uma minina que singraçô cum eu...
Ela tava numa carçada, coitadin-a, lá na insquina da praça... numa insquina que dá pruma ruazinha instreita e inscura - que e num sei purque chama de rua augusta do sertão...
Olhei pré-la, fiquei cum pena, e ela surriu pra mim... eu dei a mão pré-la, que se levantô e saímo cunversano... nisso vi cumo ela éra sufrida, sô, inté as rôpa dela era tão piquena que inté pensei que ô era de uma irmã menó que ela pudesse tê (mas num tin-a), ou ela já tin-a essa rôpa a tanto tempo que já quase num inscndia mais nada.
Im casa, ela tomô bain-o, se vistiu e comeu... puxa-vida, como ela comeu! Eu nunca vi um-a pessôa cumê tanto daquele jeito... asdispôs foi durmíi.
De madrugada ela vei inté min-a camarin-a pedino pra durmi mais eu... ela falô que já tin-a 20 anos... eu pensei: essa mini na qué côôôsa!!
Fiquei cum ela duassemana, fui pai, amigo, irmão, amante, home pra ela - mesmo cumin-a idade (inté lembrêi do véi Lua "pra cavalo vei o que serve é capim novo")... e ela sumiu...
Levô uns três mil real, um som, uma coca-cola e uns biscoito... na instrada que leva pru arraiá, ela foi trupelada, quano cherava uns pó branco que ela comprô cum meu som.

Safira fala de opções sexuais

Pediram-me para comentar um pouco sobre o homossexualismo... a princípio relutei, uma vez tratar-se de assunto muito polêmico e rico em estereótipos, preconceitos e estigmas.
Antes de mais nada, quero lembrar a todos, que independente de sua opção ou condição sexual, somos seres humanos, membros da raça que detém a hegemonia no planeta Terra - não existem diversas raças na humanidade, mas etnias, a raça é a humana, então nos exemplemos nos animais que agem instintivamente, que não se agridem só por agredir - leões não são inimigos de zebras, nem elefantes inimigos de leões, existe uma cadeia alimentar e uns são predadores, outros alimento, mas não se agridem "de graça" - ou se agridem para comer, ou para não serem comidos.
Outra ressalva, é comum falarem que os gregos eram homossexuais. Vamos contextualizar, a cultura grega, em especial a Ateniense, era muito ligada à cultura e ao culto ao belo. O desejo por sexo, e até sua necessidade, é instinto natural. Como eles buscavam o belo, se um corpo era belo e seduzia um dos cidadãos gregos, independente de ser masculino ou feminino, passava a ser seu objeto de desejo, e muitas vezes de consumação. A mulher, em algumas cidades-estado, era entendida como a reprodutora - isso não impedia que homens amassem suas mulheres, mas também amavam seus homens.
Com o adveno do critianismo e do islamismo, religiões que propagam as "verdades bíblicas" antigotestamentárias, o homossexualismo e a poligamia passaram a ser malditos na sociedade ocidental.
Muitos cientistas defendem a tese de que a "tendência ao homosexualismo" já nasce com a pessoa; outros defendem a idéia que a educação de uma criança sem uma figura austera do macho-humano (se for menino) ou fêmea-humana (se for menina) pode levar ao homossexualismo, mas se perdem ao defender que também um pai excessivaente austero, também pode levar a isso; há quem digaque é ação do demônio sobre as pessoas; e há outros que defendem que o homossexualismo é uma opção sexual do indivíduo.
Pensando que a primeira opção é a verdadeira, cientistas procuram partes no cérbro que definam isso, ou algum gene ou alelo, que leve ao homossexualismo, e tratam isso como uma doença - ser homossexual seria ser doente, então precisam achar a cura!
Pensando que a educação e a relação familiar conduz a pessoa ao homossexualismo, é colocar sobre terceiros a responsabilidade que as pessoas devem assumir por seus atos.
Defender o homossexuaismo com demonismo é muito perigoso, pois exigiria muitos exorcistas para livrar estas castas de demônios da sociedade... é um pensamento muito ridículo e sem base nem científica, nem religiosa... é atribuir aos espíritos a responsabilidade pelos atos humanos, normalmente os que fazem isso sempre atribuem a deus ou ao diabo as coisas que lhes acontecem - se isso fosse verdade, questiono uma doutrina básica do judaísmo, do islamismo e do cristianismo: onde está o livre arbítrio, se é deus ou o diabo quem decide por nós?
Entender que tudo depende da opção que cada um faz para si, assim como hoje decido casar-me com Pedro, amanhã me divorcio dele e caso-me com Augusto, e se eu quiser namorar a irmã de Augusto? É uma opção que faço... como também não namorar ninguém, também pode ser uma opção.
Amados e amadas, a condição humana não deve ser julgada pelas opções tão íntimas que fazem - se queremos realmente assumir a postura de juízes e julgadores que o façamos levando em consideração a postura da ética social que adotam, do olhar aos demais seres humanos como membros de uma mesma raça e com as mesmas necessidades, e não pelas aparências e opções.
Lembremos da passagem bíblica em que Pedro sonhou que descia dos céus um grande lençol pendurado pelas quatro pontas, e dentro do lençol vinha todos os tipos de animais que a cultura e a religião judáica considerava imundos, e o Senhor disse a Pedro: "Pedro, pega e come". Pedro, cheio de religosismo (não de religião, que ao pé da letra significa religação do homem a Deus), disse: "Como eu poderei comer estes animais que são imundos?"
E Deus lhe respondeu:
"Não considere imundo o que Deus fez"

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Todo blogueiro é meio assim... Todo blogueiro é assim? FDias vem, dias tá nem aqui? Dias vem, dias tá nem aqui... Dias e dias seguidos posta, comenta, ri Dias some, o trabalho real o consome Os amigos não virtuais o consome e some... Mas volta e meia volta e e-meia E posta e aposta que nunca mais vai ficar tão longe de postar e comentar... E pede perdão a ausência e perdoa a ausência dos outros...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Hoje tem, em Itapipoca, de GRATIS, Zezé de Camargo e Luciano!!!! No Festival Itapipoca Junina... Vô naum...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Momento Eleitoral

Pronto pessoal, acabou-se o prazo para as convenções municipais que escolheram os candidatos às milhares de prefeituras e dezenas de milhares de vagas para vereador no Brasil.
Agora vão começar os horários eleitorais gratuitos nas grandes cidades, e em tooooodas as cidades os palanqus, os carros de som com paródias eleitoreiras horríveis, a partir de músicas não menos sofríveis, naquela dimensão de volume tão irritante quanto arroto na hora do almoço...
Ah, mal posso esperar pelo dia 06 de outubro - o dia seguinte...
Por isso pessoal, comprem seus headphones, ajeitem seus tocadores de DVD, comprem muitos CDs maravilhosos e vamos curtir três meses de muito papo furado, promessas idiotas e toda a sorte de coisas que sempre se vê em período eleitoral.
Mas caso você queira ou rir um pouco ou tornar-se um puxa-saco, dá um pulinho aqui e faça o Curso de Puxa-Saco, que postei em dezembro.



domingo, 29 de junho de 2008


Bill Gates se aposenta e deixa o comando da Microsoft.

Conhecido em todo o mundo, devido a geração de seu filho, o Windows, com seus cinquenta e poucos anos, anunciou sua aposentadoria e afastamento de direção da mega-empresa de informática.

Seu papel na organização será de "Chair Man"

sábado, 28 de junho de 2008

Dos 10 homens mais ricos do mundo, três são indianos.
A Índia é o 12º país mais rico.
O Brasil é o 10º país mais rico.
Entre os homens mais ricos do mundo 3 são indianos, 2 são americanos, os outros são um mexicano, um sueco, um russo e um alemão.
O Brasil possui 20 dentre os 1000 homens mais ricos do mundo.


Ô renda bem distribuída, hein!!!

Serial Killers

Segundo pesquisa do que seria IML novaiorquino, os serial killers americanos recebem, em média, 100 cartas por dia (cada um) de pessoas do gênero mais agredido pelo(a) assassino(a). O mais incrível é que a maioria das cartas (70%) são declarações de amor. É triste saber que o número de mulheres serial killers é muito próximo ao número de homens assassinos em série

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Queda livre

Saltei de pára-quedas cortei as nuvens-algodão com a velocidade da queda o vento zunindo não me diz nada, conduzo meu corpo com pequenos movimentos... o pára-quedas não abre, vôo rápido e numa curva descendente miro canto algum, e... esbarro na parede vermelha de teu coração e percebo que nunca saí de ti

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Talício conheceu japoneses

Num pudia dexá de falá no dia que cunheci os japonês, purquê in tudo que é canto só se tá falano neles e nos cem anos que eles tão morano aqui no Brasil. Eu viajava pra Parecida cum uma caravana, a seca tava muito braba pur aqui, intonce fumo rezá pra Nossa Sin-óra, afinár reza e caldo de galin-a num faz mal pra ninguém, né mermo!? Aí, nós fechamo cum seu Marguelino, dono de uns ôin-bus, pra gente íi e vortá de Parecida. Ele que nun é besta cobrô adiantado, tudo bem, que ninguém de nós é calotêro mermo, e fumo... Istrada cheia de terra e puêra, depois istrada de asfalto quente, depois noite, noite, madrugada, gente roncano... até que umas certa hora da noite, ô era madrugada!, ninguém num sabe ao certo, uns homi pararo o ôin-bus que nós ía, colocaro umas tranquêra no mei da istrada, quano o ôin-bus parô eles entraro cum arma na mão, revolve e faca - faziam zuada már tavum era cármo, tudo muito carmo... Mandaro nós ficá calado e só obedecê, que ninguém se machucava. Nós matuto véi, tava tudo cum vontade de vuá in-cima deles e tomá aquelas arma, mas agente tava tudo mei tonto pela iscuridão. Mandaro o motorista segui o camin que eles íam dizeno... Entramo numas istrada isquisita, fumo com o ôin-bus véi pulano mais que sapo no brejo, e sacolejava mais que sacola na mão de bêbo. Quano olhêi e vi um campo bunito, todo plantado, parecia uma vizage de tão bunito. Até a lua resorvêu saí distráis das nuve pra vê aquela belezura de prantação... nixo o pneu do ôin-bus istorô. Foi um deus-me-acuda pra todo lado... ninguem se intendia mais, os bandido já nem sabia mais o que fazê, nem nós... nixo aconteceu que uns dos bandido descero do ôin-bus pra vê o que tava aconteceno, e mandaro todo mundo desce tumém... Aí... prestenção pessoal... se cale aí dona madame, dexa eu falá... Dum jeito que eu inté hoje num tendi direito, só sei que vierum uns quinze home da iscuridão, com facão, inxada, foice e muita corage, derumasporrada nos bandido, as arma deles num conseguiu dispará, e antes que eu consiguisse dá um ispirro, os seis bandido tava tudo dominado pelos homis baixin e de pele branca. Amarraro os bandido e fumo tudo pra cidade, pra delegacia - eram os japonês que plantaro aquele roçado formoso, e que instranharo quano virum um ôin-bus naquelas pradaria... e nos salvaro do que de pió pudia acontecê... Invês de nós íi pra Parecida, ficamo naqueles rincão uma semana, e os japonês insinô pra nós como fazê pra nossa terra produzi mais, como fazê adubo cum páia e com a madêra que a gente broca, insinô nóis como cuidá da terra sem queimá... Nem precisamo dos milagre da Santa, craro que ela deve ter lá seu pudê, mas dêxa ela usa pras ôtra pessoa, purquê o milagre que aconteceu foi a gente vortá cum saúde e coin-êcimento suficiente pra fazê de nossas terra aqui no nódeste umas terra boa pra curtivá... Brigado japonesada pelas aula que nus deu!! E - hê...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Safira fala sobre "O valor das coisas"

Normalmente a palavra valor nos remete a pensamentos financeiros e econômicos, mas a teoria dos valores é um pouco mais profunda que isso. Como somos seres simbólicos atribuímos importância às coisas, esta importância está rica em significados e, de acordo com a importância que damos é que lhe surge o valor. "Certa sobrinha minha de quatro anos foi comprar uma garrafa de dois litros de refrigerante, e levou vinte reais para a compra. Ao voltar para casa, ela não conseguia equilibrar bem a enorme garrafa e o dinheiro, em papel e em moedas. Rapidamente ela resolveu a situação: colocou os dezoito reais de troco na calçada e foi para casa levando o refrigerante. Sua mãe correu para a rua para pegar o dinheiro antes que alguém o achasse, a Bruninha olhou para mim: - Tia Safira, por que a mãe ficou tão preocupada? Era só dinheiro!" Leonor acha dezoito reais mais importante que dois litros de refrigerante, mas Bruninha acha o refrigerante mais importante. Os valores das coisas estão na importância que lhe damos, e nada possui valor intrínseco em si mesmo, sem alguém que lhe atribua o valor do que lhe simboliza.

domingo, 22 de junho de 2008

Minha alma torta procura
Uma alma reta
Para que eu a entorte
Ou
Para que me endireitar
Sei lá!!!

Uma noite escondida

Ele era um professor de Matemática, que voltava para sua casa, a pé, por volta das 22 horas em um mês de maio. Vinha ele por um atalho, procurando economizar tempo para chegar em casa, pois sua ciumenta mulher sempre o aguardava com um interrogatório quilométrico, e porque um leve chovisco o incomodava.
Por uma ruela bastante escura, vinha em seu encontro uma mulher.
Quem os visse pensaria que havia marcado o encontro, contudo eles sequer se conheciam, sequer haviam se visto anteriormente. Chegando perto, pararam a menos de um passo de distância, a escuridão não permitia que vissem o rosto um do outro, mas se aproximaram mais, ele colocou sua mão esquerda na cintura da mulher e a direita em sua nuca e a puxou para si, ela veio, arderam-se num longo e gostoso beijo.
Ele sentiu que seus cabelos eram lisos, ela sentiu que ele usava bigode... ele sentiu a língua dela lamber-lhe seus lábios e ela sentia os dentes dele mordiscarem sua boca.
Sentiam o cheiro da respiração do outro, a mão dela subiu às costas dele; que suavemente puxava os cabelos dela, causando-lhe uma certa dor que mais excitava que machucava, ela gemeu como quem sussurra, e os lábios se arderam mais fortemente no beijo.
A mão direita dela escorreu pra nádega esquerda dele, enquanto a esquerda lhe cravava as unhas nas costas, desceu-lhe seguindo a lombar e entrou em sua camisa pelas costas, lhe arranhando mais ainda e cravando as unhas grandes dela com mais ímpeto.
Ele começa a morder-lhe o pescoço e percebeu que ela só tinha o brinco direito, uma correntinha de uns quinze centímetros que pendia do lóbulo da orelha e encostava em seu ombro... penetrou-lhe a orelha com sua língua, ela gemeu mais e começou a alisar-lhe o membro por sobre a calça...
Num movimento impensado ele tirou-lhe a blusa negra, de malha, beijou-lhe os mamilos; ela abriu-lhe o cinto, a calça e os derrubou ao chão...
Neste beijo ardente, ele abriu-lhe a bermuda verde, ela baixou sua bermuda e calcinha, tirando a perna esquerda, ficando porém meio vestida, com a direita ainda na calça e na calcinha.
Suavemente ela subiu nele, a perna esquerda, depois a direita, e segura-lhe o membro excitadíssimo e o introduz...
Naqueles movimentos ritmados e constantes, ele segurou-lhe pelas nádegas e a penetrou ainda mais...
Logo ela começou a gemer e ele sentiu-lhe a lubrificação aumentando, no momento que os espasmos do canal vaginal tornaram-se mais intensos, ela sentia o membro dele pulsando dentro de si, e pulsava também, e mordiscava o pescoço dele, e gemia num frenesi enorme, no mesmo momento que ele aumentava o ritmo que a erguia e a baixava...
Ele encosta seu rosto no rosto dela e sentiu-lhe as maças do rosto ardendo, beirando os quarenta graus centígrados... e ambos gozam, ele sente o gozo dela, que sente a ejaculação dele...
Suores, mormaço, chovisco, a cumplicidade da escuridão noturna.
Vestem-se, nada dizem... beijam-se novamente... ela passa por ele e segue o caminho que seguia para casa, sua irmã paraplégica precisava que ela chegasse para lhe dar o banho noturno antes de coloca-la para dormir; ele também segue para casa para encontrar sua mulher e filhos que já deveriam estar se arrumando para dormir.

Ao chegar em casa, ela encontrou sua irmã morta... a depressão lhe atacara forte àquela noite fria de maio, cuja lua convidava prum romance - tomara algumas gotas de raticida e já estava fria e com enrijecimento nas articulações...
Ele chegara em casa, e encontrara sua roupas e livros espalhados pela casa, nenhum móvel e um bilhete dizendo que fugira com os filhos e com seu amante - que anos mais tarde ele soube tratar-se de um comerciante de uma cidade distante que a conhecera casualmente no Banco...

Talvez o casal de amantes nunca mais tenha se visto, ou talvez todos os dias se cruzem pelas ruas; não se conhecem nem se reconecem.

E daí?

terça-feira, 17 de junho de 2008

e o quico? e o quicotenho com isso?

Ao estudarem múmias de alguns faraós descobriu-se sêmen em seus ânus - ou seja, uns faraós eram padeiros (gostavam de queimar as rosquinhas), inclusive o Tut - mas eu pergunto: e o quico? e o quicôtenho com isso?

Talício na Serra Pelada

Mer Deus do céu... a gente vê cada côsa nexe mundo chegaté sinspanta. E óia que eu num sô homi di-mi-sispantá cum quarqué côsa! Sô macho e num têin-o medo de sombração, vizage, arma-dôtro-mundo nem fera feroz.
Na década dos setenta, fui chamado por Ambrógilo pra currida do ôro in Serra Pelada. Num contêi cunversa, se mandamo uns quinze home lá de nosso véi rincão natal pras banda do Pará.
No camin, subiru mais de vinte na geringonça daquele camin-ão, nós tudo com aquele zói faiscano com vontade de achá ôro, preda priciosa, e vortá rico - fazena, gado, cumida boa era o que a gente sabia que ía tê quano vortasse pra casa.
Cada um deu um xêro in sua maria, in sua rosa, in seus barrigudin e fumu tentá a sorte.
Cinco anus infeliz, passei naquela terra isquicida por Nosso Sin-ô. Passamo fome, febre, chuva e inxurrada, Vimo colegas nosso morreno nos dislizamento de terra, ôtros seno esfaqueado por causa de uma pedrinha-merda-de-ôro... a gente ali num valia nada, a gente era só um monte de furmiga-humana no maió furmiguêro da terra.
Lá num pudia tê mulé, que era pra gente num se matá pelos carin-o das moça-dama; bibida tumém era proibido, mas agente sempre arrumava um jêto de tomá umas pinga.
Um dia de sábado, 14 do mês, amain-e-ceu morto, todo rasgado e arranhado, o Jorgino, capataz de seu Renilôncio (o home que nos dava mercúro, ferramenta e ôtras burundanga pra gente pagá quano achasse ôro).
Jorgino tava tôdo arrain-a-do de zunha: "é uma fera da mata", logo todo mundo sabia. De noite a gente inscutô uns cachorro uivano pra lua redondazona, mas num ligamo. No domingo de main-ã, incontramo Sergiovam todo rasgado, ingual Jorgino. Sergiovam era quem trazia pinga pra nóis...
Mas como tin-a chuvido de noite, a gente viu umas pegada instrân-ia, paricia de home, paricia de bicho...
"- Ai meu-deus-do-céu-minha-nossa-sin-óra, só pode ser lubizome!!" Gritô assustado Leocádio, uma home-mulé que namorava cuns servergonin de Caicó.
Cumeçô o ribuliço, o dixe-me-dixe, o pânico - di noite ninguém durmiu, cum medo e insperano o tár do lobizome aparicê. Ele num vêio, mais na seguna de main-a cedo incontraru quatro corpo, dos Andrade de Sousa, que vieru de Mato-Grosso nas primêra leva de gente.
A puliça já num sabia o que fazê, já tavum pensano im fechá o garimpo - todo mundo era suspeito, e todo mundo tava cum medo de sê a próxima vítima.
Naquela noite de segunda pra terça fêra eu durmi na cidade, e quano vin-a na terça de main-â-zin-a pro garimpo, de longe avistêi um cabra tirano uns sapato instranho que tin-a uma garra de fora da butina pra dexá marca de pé de fera - num cuntei cunversa, arrudiei por distrás do fin-duma-égua e dei-lhe uma paulada cum tanta força que a tóra se quebrô, o cabra ficô mei zonzo e eu fiquei morto de sustado, ele num caiu, se disincurvô e ficô di pé.
Nunca vi um cabra tão alto, nem com um tronco tão forte. Ele me agarrô pelas camisa que me tirô do chão, eu puxei minha faquin-a e rasguei a camisa na frente soltano os butão e eu caindo pela camisa, dexano a camisa na mão dele... quano eu caí infiei a faca no pé dele, que varô e fincô-se no chão.
Lembrei de uma história que meu véi pai tin-a me contado de um tár de Aquiles e passei as faca nos carcanha do bichão que caiu sobre mim gritando de dô.
Nixo, uns cabra viero e me socorrero, levamo o home amarrado.
Na hora do armoço foi que o zocrópto da puliça chegô e levô o gigantão e eu pro hospitár... o quabra me quebrô dua custela quano caiu de sobre de mim...
Quano a gente avuava por sobre aquele furmigueral de gente que era a Serra Pelada, eu vi como a gente dá pôco valô pra nossa própria vida - lebrei de minha Veroguisberta, dos meu buchin de verme que eu tin-a em casa, de min-as pranta, da cachaça prosêra nus fim de tarde, no vento frii que faiz in cima da serra, da carma e da tranquilidade que é arma uma rede e deitá no cólo da mulé que eu amava...
Vortêi pra casa cum duas certeza, qui lobisomem num exeste, mas sim homi-lobo; e qui num teim lugar mais mió que aquele em que a gente tem paz.

Ai, ai, ai...

  • a Seleção Brasileira não está testando os jogadores, como quase todos os times do mundo fazem, está testando o treinador - que timezinho maisd tacanha esse nosso!!! Yo so quiero ver los platinos socando quatro o cinco gols em nosotros... - não é antipatriotismo não, faço coro com letícia e com Marcos, na repulsa a todos os que acham que o circo é mais importante que aulas
  • Bolsa de Valores subiu 500% na Era Lula - isso mostra duas coisas: primeira, que o governo "socialista" que a ex-querda queria implantar era a mó balela, porque o sistema é capitalista mesmo, cada vez mais arraigado, com cada vez mais exploração da mão de obra mal remunerada; e a outra coisa é que nosso Governo, como todos os anteriores, só se preocupam em favorecer aos grandes, pois qualquer ajuda que se dá ao pequeno ou ao médio são com medidas tão ínfimas, que servem mais para "calar a boca" das massas insatisfeitas que realmente pra promover boa qualidade de vida. A Bolsa sobe 500% e a condição vida digna baixou quanto!!! Em que repercute este aumento do lucro da bolsa na vida diária de nossos centenas de miseráveis?
  • o Governo quer que a EMENDA 29 da Educação aumente o dinheiro dos Estados para a Educação, quer também ressuscitar a CPMF, nos moldes de CSS, para investir exclusivamente na Saúde (já vimos este filme), lá, vai comentário: o problema não é o valor do que se investe em Educação e em Saúde, e sim, em como se gasta. A CSS só deverá ser aprovada depois do pleito municipal, pois só entrará em vigor mesmo no próximo exercício fiscal!!!
  • Lula disse que estamos com uma pequena inflação, mas que isso não prepcupa, pois o Brasil "está perto do paraíso" - bem, o paraíso é o destino dos mortos...
  • Ai, ai, ai...

domingo, 15 de junho de 2008

Safira fala de feminilidade política

JFK disse certa vez que se o povo americano elegesse uma mulher à Presidência dos Estados Unidos, jamais elegeria novamente um homem. Dizem os historiadores que Luis XIV teria dito que enquanto as mulheres lutarem com as armas masculinas, nunca terão o poder, mas no dia em que lutarem com as armas femininas, jamais deixarão de governar.
As verdadeiras armas femininas não são a sensualidade e a chantagem emocional, tão comumente utilizadas por muitas mulheres. Estes expedientes não nos fortalecem, mas fragilizam e vulgarizam, e criam sobre nós o estereótipo que macula nossa integridade, amor próprio, competência, auto-estima, e lançam por terra todos os discursos sobre objeto-sexual e igualdade de direitos.
Estas pseudo-armas emprestam à imagem feminina o ar de um ser manipulador e fútil, e que usa de subterfúgios os mais baixos e vulgares para conquistas superficiais, financeiras e materiais, em detrimento do que realmente importa, que encontra-se na dimensão das coisas invisíveis.
Hoje, os Estados Unidos estão perdendo a chance de ter sua primeira presidente, daqui há dois anos teremos uma mulher pleiteando a nossa Presidência, também, e, embora eu concorde em parte com Kennedy e com Luis XIV, não acredito que uma pessoa será boa ou má estadista simplesmente pela sua condição de gênero, mas acredito, também, que as armas femininas são socialmente mais eficazes que as masculinas, afinal estamos na condição que estamos, falo como planeta, porque o egoísmo, a violência, a corrupção é que têm sido as marcas dos governos do mundo, inclusive de nosso país.
As armas realmente femininas são a coragem, a abnegação, o amor às crianças, ao futuro e ao ser humano, e o auto-sacrifício pela vida. Pois, nós, mulheres, temos o destemor de enfrentar a mentira e a verdade, mesmo que isso nos cause dores e prejuízos, contanto que a vida e nossas crianças e futuro sejam preservados.
Assim, minhas amigas, lhes convido para pensarmos mais em como fazer da vida um grande desafio à própria vida.

sábado, 14 de junho de 2008

Conduzindo-nos

Amo ter-te comigo minha amada que me ilumina e me mostra a estrada que me conduz suavemente como se eu te conduzisse, e nesse ir e irmos caminhamos juntos procurando meios de nos eternizar. Desgostos e desconfortos sentimos neste momento de nos conhecermos contudo a esperança do amor nos deixa mais firmes.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Alergia


Meu plantão de quinta=feira foi um doa mais puxados de minha longa vida de enfermeira da emergência.
Houve um tiroteio entre dois grupos rivais na Favela do Quasímodo, e quando a polícia chegou os dois bandos de traficantes se viraram contra a força policial - o hospital da região ficou apinhado de gente, então começaram a enviar alguns de seus feridos para os outros hospitais.
Quando entrei no plantão, às 18 horas, do estacionamento, onde coloquei meu carrinho zerinho que só tinha dois dias de dervirginado (lindo, meu fofinho), já dava pra perceber o caos.
Quase que eu me benzia, tomava banho de pimenta, andava sobre brasa viva, entrava no mar de costas - mas como sou cética, nem "ai meu deus" eu disse, só respirei fundo e fui lá: Coragem menina, quem já enfrentou o quevocê enfrentou pode encarar essa sem medo!
Quando faltavam uns dez minutos pra meia noite, ouvi o silêncio pela primeira vez naquela noite - consegui entrar no banheiro e fazer o xixi mais delicioso de minha vida. Mas quando deu duas horas, os corredores estavam limpos, o silêncio da madrugada começou a se misturar com o frio da leve geada que iniciava, aí pensei: Um banho, um bom e demorado banho, um café bem quentinho e doce e um cochilo de 15 minutos, hoje fiz valer meu salário do ano todo.
Mas como alegria de pobre dura bem poquinho, a ambulância chegou com um paciente ferido à bala.
Jovem, bonito e forte, o rapaz estava lúcido e nos contou que fora alvejado por um marido ciumento.
Nas aferições iniciais, medimos sua PA, temperatura, verificamos se era diabético, hipertenso, aquelas coisas de praxe, até que lhe perguntei:
- Você possui alguma alergia?
- Sim, doutora - sou alérgico a bala.
Eu não pude me conter e soltei uma grande e ruidosa gargalhada.

Ouvido de tuberculoso

Quem trabalha na saúde sabe bem o porquê desta expressão.
Nesta última semana, em que estou enfermo e acamado - o negócio foi forte - eu ficava com os olhos lacrados com compressas, TV desligada, o mó silêncio... como nossa audição é poderosa!! pasmei!
Eu ouvia passos, insetos... veículos... tudo tããããão distante, mas audível e compreensível.
Pena que nestes dias, que ainda não se acabaram, minha conscência não me acusou de nenhum erro - isso me deixou preocupado, porque ou sou tão perfeito que nada condene ou pese minha consciência, ou estou tão mau que minha consciência está cauterizada e não consegue mais me convencer de nada...
Obrigado, amigos e amigas, pelos votos de recuperação... logo logo volto com tudo!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ai, ai, ai...



Eu não pude deixar postar:


- No RS o aeroporto, aviões nem açam vôo nem aterrisam, aí o pessoal reclama - Cambada, o que é pior, atrasar um pouco o vôo por questão de segurança ou arriscar-se vidas permitindo vôos sem teto? O pessoal quer é reclamar, mesmo


- Em Recife, o Galo da Madrgada está de luto, devido a morte de um de seus fundadores


- Duas "corridas malucas" ontem: a da F1, no Canadá, e a corrida maluca de Fortaleza... tudo muito divertido


MEUS AMIGOS, TO COM UMA CONJUTIVITE ENORME... E DENGADO... ASSIM QUE MELHORAR VOLTAREI


sábado, 7 de junho de 2008

Incerteza

O ruim de aguardar não é a espera é a incerteza. Como ter certeza se minha vida é tão cheia repleta de surpresas?... grande parte más... Nunca tenho paz, sempre tensão sempre amar errado sempre esperar quem não vem, ou vem, mas nesse esperar esse esperar não me dá certeza Sofro aguardando, querendo um sim só tenho talvezes, mesmo que sejam sim no final. durante toda a espera, talvez. Ter-te, enfim, comigo é o sonho, aguardar-te é o cochilo, a ânsia, a falta, a dor-de-cabeça, a incerteza.
Venham curtir a Rádio Camanducaia, vocês vão se divertir... é só ir clicando no comércios que carrega a faz o anúncio... Tô de molho em casa com uma conjuntivite, mas rindo a beça.

Canto solene


Meu coração assovia nossa canção
em alto e bom diapasão,
silva a todos teu nome
depois se fecha e some