quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Crise!!!!
A pedidos:
tudo começa quando um grupo de construtoras nprte americanas resolve construir, contudo não tem dinheiro suficiente... solução?: pedir dinheiro emprestado aos bancos. Os bancos examinam o emprendimento, veem que há grande possibilidade de que o investimento seja lucrativo, e emprestam o dinheiro.
Depois de construídos os concomínios, as mansões e todas as formas de prédios financiados de imóveis - grande parte deles na zona nobre do país - surgem as companhias de seguros.
Norte americano, sempre precavido contra prejuízos (nem sempre), fazem seguros contra perdas em suas edificações. As seguradoras topam na hora fechar estes contratos com apólices milionárias... contudo, nem uns nem os outros supunham que o clima da Terra ficaria tão quente quente, e que anualmente haveriam incêndios dantescos, cujos prejuízos teriam que ser cobertos pelas seguradoras - empresas sempre ligadas a bancos - muitos eram aqueles mesmos bancos que financiaram a obra.
Assim, desenha-se o cenário:
- os bancos emprestaram dinheiro para as construções, cujos pagamentos serão feitos em pequenas fatias por décadas;
- as seguradoras, destes mesmos bancos inclusive, tiveram que desembolsar vultosas quantias para cobrir as perdas de seus assegurados, e promover para os proximos contratos valores mais elevados para as prestações;
- as pessoas que compraram suas casas financiadas por estes bancos, tiveram sérios problemas para quitar suas prestaçõesm haja vista que os contratos de venda tem seus valores atualizados a cada doze meses, tornaram-se portanto inadimplentes e arriscam perderem suas casas;
- outros se negam a pagar porque perderam as construções em incêndios, ou ficaram sem condições de habita-las, devido os riscos naturais se agigantarem a cada momento.
Cautelosos, os bancos se negam a emprestar para construtoras e a financiar para os compradores - instala-se a crise dos bancos!
Sem financiamento, diminui o emprego - pois o setor com maior mão de obra é o da construção civil. Sem emprega, não se faz gastos - instala-se a crise do emprego!
Paralelamente a isso, empresas veem-se sem dinheiro para custear suas produções, uma vez que o comércio diminuiu, porque diminuiram as compras... e tentam capitalizar-se resgatando muitas de suas ações... o mercado financeiro vendo que as empresas estão precisando se capitalizar, vendem as ações dessas empresas a módicos preços. Assim, o descrédito nestas empresas acarretam poucos investimentos - instala-se a crise financeira!
Procurando capitalizar-se surge outro problema: as empresas têm muitas ações vendidas, mas ações não são dinheiro, quando o investidor da bolsa percebe que a empresda em que investe está prestes à bancarrota procura resgatar o dinheiro investido em suas ações, como as empresas possuem bens e não caixa, vão aos bancos pedir que custeiem os preços de suas ações, pos bancos se negam e as empresas correm ao Estado pedindo socorro - instala-se a crise do mercado de ações!
O Estado se vê numa situação difícil, pois defende a idéia de que a roda da fortuna deve girar a partir da produção, que contrata pessoas, que gastam no mercado, que compra da indústria, que contrata mais e assim sucessivamente... e se vê na perspectiva de investir nas indústrias... Contudo...
Mesmo que se aumente a produção, se não houver dinheiro para se fazer compras, os bens ficarão acumulados nas fábricas...
Soluções:
ou se estatiza as empresas, para que sobreviva o sistema capitalista ou se olhe com mais atenção ao ser humano e assuma-se que o capital e o comércio foram feitos para o ser humano e que não podem ter vida própria.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Ai, ai, ai...
- Com a união da Receita Federal com a Receita Previdenciária algumas mudanças serão necessárias na legislação tributária nacional, uma é o parcelamento de débitos previdenciários. Há 10 anos o Governo federal permitiu que os governos municipais e estadfuais parcelassem suas dívidas em 20 anos. Parcellamentos feitos, não honrados, novas dividas surgindo, o Governo federal lança mão novamente, agora com um re-parcelamento dos débitos já parcelados e incluindo-se neste os débitos ainda em aberto, com prazo de até 240 meses - como leio isso? Bem, grande parte das prefeituras são de aliados políticos do partido do Presidente e precisam de benefícios para aliviar suas "culpas" pela má gerência da coisa pública; segundo, entendo que ele precisará de todo apoio pra fazer Dilma presidente; terceiro, cumprimentar com chapéu alheio é muito bom, afinal o prejuízo é da nação, não é dele, e a prática mostra que no primeiro ano os parcelamento são honradios bem direitinho, os inadimplentes começas a falhar da 15ª parcela em diante, ou seja: seu governo irá arrecadar muito;
- A guerra entre Isarel e a Palestina tenderá a estender-se por mais alguns anos, haja vista que provavelmente um direitista-extremo assumirá o cargo de primeiro ministro israelense - ô novela pra não ter fim!!!
- Obama populista - era de se esperar!!!
- Andrew Wakefield, pesquisador inglês, adulterou dados dos pacientes sujeitos de uma pesquisa, para provar que a vacina trípliceviral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) poderia causar autismo - uma vez que as causas do autismo ainda não foram deteectadas pela ciência, o carinha quis projetar seu nome em cima de especulações - nem todos conseguem fraudar a comunidade científica mundial como conseguiu Einstein...
- Não satisfeito com a inadimpência das prefeituras em todas as suas contas públicas: PASEP, FGTS. INSS, o GovernoFederal está abrindo para as prefeituras o direito a empréstimos junto ao BNDES para que os municípios gastem em seus projetos..
- Ai ai ai....
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Talício honra a estação das chuvas
Xegô as chuva no sertão. Os açude pegano água, a terra bebeno e enxarcano, se preparano pra gente pranta o míí e o fêjão. E se Deus quizé, e as chuva durá inté maio, ramo tê muito caju, e todo tipo de fartura.
Mas como a gente nunca fica sastisfeito, lá vem recramação:
- Talício, pra quê esse riso no rosto? Num ta veno que as chuva traz inseto?
- Vixe Maria, meu Deus, se essa chuva cuntinuá, vai arrombá os açude tudo, né não seu Talício!?
- Que droga de chuva é essa, todo ano que tein-o inverno forte, min-as galin-a pegam gôgo... arre égua, Talício, era bom se chuvesse menos...
- Veja só, seu Talício, se houver bom inverno, não iremos contratar caminhões pipas, meus discursos sobre obras pra proteção da seca serão inócuos; os orçamentos superfaturados para cavar e construir poços profundos, serão adiados... pra mim, ano de seca é melhor, assim me mostro como "salvador da pátria" e o povaréu fica todo com sentimento de dívida comigo...
- As rôpa num vai mais inxugá, vai mofá tudo, seu Talíço!
- PQP, as estradas vão ficar sem condições de passar...
- Como vou dar aulas? O caminho até as escolas no sertão estarão sem passagem, e ir pra quê, se as crianças nem vão por causa da chuva!!?
- Àh mór Deus, as gotêra na casa vão moiá tudo...
- Êta, começo de chuva vai encher o hospital de casos de diarréia e doenças de pele; no meio do tempo chuvoso, lá vem as picadas de inseto e afogamentos, e no final das chuvas muita febre, dengue e doenças respiratórias! Talício, acho que vou tirar uma licença médica, pra fugir desse período aqui no hospital!
...
Êta, povo cumpricado e insastisfeito... mas num há milhó bênção prum povo que chuva im tempo de chuva e sór im tempo de sór.
Um dia após o outro
Minha veia poética anda meio obstruída
não consigo mais transcrever
para signos linguísticos o que vem de minha mente
de minha vida e de meus esforços para ser compreendido
ou descompreendido.
Levo minha vida diariamente
como quem leva o andor
sério, quase sisudo,
feliz pela caminhada
e sentindo nas costas o peso de minha fé
de minhas aspirações
de minhas desilusões
de minhas queixas e
de minha própria existência.
Como menino, erro sempre,
como homem, assumo meus erros,
e assim a cada dia que passa
viro a página do ontem
para ler o que o hoje me propõe.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Ááááááhhhh
Como é bom acordar após dois meses de hibernação...
As coisas vão nos conduzindo a um caminho que muitas vezes nem sabemos como chegamos lá...
Um dia após o outro dia, um problema - uma solução, um piripato - um remédio, uma crise - um sorriso, uma mulher- duas mulheres - três mulheres - um BASTA!!!
Assim vamos nos conduzindo e sendo conduzidos nas águas do rio chamado vida, que segue seu curso, com águas calmas e claras, com águas turvas, correntezas, cachoeiras, tormentas, e novamente águas calmas - sempre após uma cachoeira temos águas calmas e tranquilas, margens verdes para aportarmos e nos fortalecer, pra continuar a viagem...
De repente, percebemos que já estamos muuuuuuiiiiito longe da partida, e todas as curvas do rio nos tira a visão de onde saimos...
Novas curvas e novas águas... tudo sobre o mesmo leito, e sobre o mesmo rio, que já não o é mais...
Uma caverna existe no fundo do rio, e nela eu dormi tranquilo, hibernei por dois meses, agora tô aqui, acordando...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Talício conta o que Amargência ouviu
Ixo foi o que mim falô a Dona Amargência e eu num pudia ficá sem contá procês...
Ela tava no quarto. ex-ponto comercial, com sua filhinha que já durmia, quano ouviu exa cunversa:
- Bora, come esse negóço, aí...
- Tá bom, e me dá um pôco da pinga tumém!
...
- Tá gostoso exe tira-gosto?
- Tá ótimo!
...
- E aí, você vai me dá?
- Hum, rum...
- Que bom... olha. ali naquele muro só tem materiá de construção... a gente pula o muro...
- Certo, mas quanto você vai me pagá?
- Três real...
- Três real, mas é muito barato!!
- Mas é o que tein-o...
- Tu é doido!? Teus amigo tumém me queria, se eles sobé que te dei por exe preço eles vão tudo querê me pegá tumém!
...
- Tua mulé num dixe que ia te dá o Borsa-Inscola?
- Ela lá deu nada! Ela ficô cum tudo...
- Mas você mim dixe que ela ía te dá o Borsa-Inscola...
- Már num deu...
- Mas tá muito barato, posso te dá assim não...
- Olha, eu num comprei a pinga? num comprei o tira gosto? Agora só tein-o os três real...
- Mas tá pôco... se fosse pelo menos cinco... ele num vale só isso não... eu tein-o valô... eu num valho só três real!
- Não, min-a minina, você vale um milhão... UM MILHÃO!!! Se eu tivesse um milhão eu te dava, mas só tein-o três real... toma pega...
- Me dá... mas inda acho que é pôco...
- Vai, come mais do tira-gosto!
- Já tá fríi, tá todo gordurento...
- É tripa né, mulé... se você num tivesse ficado discutino e tivesse comido, eu já tava cumeno tumém!!
- Sei não... três real num dá pra nada!
- Pois tá bom... vamo fazê assim... tu me dá hoje por três real... amanhã eu vô junta o que eu pegá dos papelão que eu vendê e te dô quinze real!!!
- Quanto!?
- QUINZE... quinze real!
- Assim ta bom, você me dá os quinze real e te dô amanhã de novo...
- Óia, hoje é segunda, você me dá amanhã, na quarta e na quinta, tá bom?
- Tá... mas olha lá... me tráz os quinze real, mesmo, senão não te dô mais de jeito nin-um!
- Peraí, me dá o din-êro... ... ... ...
- Que que cê foi fazê homi?
- Cumprei dois real de cigarro, um pra tu e um pra eu!
- Ah, bom, afinal depois de uma tem que tê o cigarrin...
- Pois é, mulé, agora vamu...
- Vamu!!!
Ô negóço da mulésta!!!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
NOVELA: capítulo 8
- Que coisa, esse telefone que não atende, meu Deus!!! E Solépatra sai do apartamento, e vai pensando no que vai rolar entre ele e o casal de criados, safados, que tem em casa...
Pensa no que vai fazer com eles, imagina muita safadeza... e voa para casa...
Ao chegar em casa, vê aquela coluna de fumaça... desesperado, abre o portão e vê sua casa tomada pelo fogo... sem saber o que fazer Solépatra corre até próximo da casa e escuta algumas pequenas explosões e desabamentos vindos de dentro da casa... vira-se e vê o casal na piscina... embriagados, nus e muito contentes - rindo-se muito daquela situação trágica!!!
- EI, O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AÍ??? ãh!!! O QUE É ISSO!!!
- Nada, patrãozinho, disse a cozinheira assanhadinha - só estamos fazendo com você o que você passou a vida fazendo com a gente - e solta uma ruidosa gargalhada...
- É isso mesmo, meu patrãozinho, só estamos nos antecipando... antes que o senhor f... com a gente a gente já te fu... - há há há há há há...
- Isso é um... um... despropósito!!!
- Des... o quê, patrão? - zomba a nua da piscina!!
- Vistam-se e saiam dessa piscina, agora!!!
- Por que patrão? O que você fará com a gente...
- Vai nos despedir? - há há há há há...
Calmamente, Solépatra vai até à margem da piscina, senta-se numa espreguiçadeira que está sob um grande guarda-sol:
- Vocês são muito pequenos mesmo... acham que isso abala minha riqueza? que isso abala minha fortuna? Não, não abala mesmo... vocês já ouviram falar em seguros-contra-incêncio? seguros-contra-roubos? seguros-contra-atentados?
- Minha pequena casa, avaliada em 3 milhões de reais está completamente coberta pelo seguro... receberei pela insanidade de vocês dinheiro suficiente para construir outra maior e mais bonita... e quanto a vocês...
- Bem, quanto a vocês... cadeia - CADEIA, sim...
A bela cozinheira sai da piscina, vestida como Eva no Paraíso:
- Sim, seu bandido, mas sua família saberá de tudo, de seus roubos, de seus casos amorosos, de sua pilantragem...
- Agora, que você saiu da piscina, faça o favor a você mesma, vista-se... e...
BAAAAAAMMMM, BAAAAAAAMMMMM dois tiros certeiros estouram a cabeça da nua empregada...
Despercebidamente, o jardineiro saíra da piscina enquanto o casal discutia, pegou a arma do porta luvas de Solépatra e alvejou a jovem que cai morta na piscina... ele anda mais dois passos e dá um tiro em sua própria perna, na tíbia... arremessa a arma aos pés de Solépatra e corre manquejando, deixando um rastro de sangue nas calçadas...
Ao verem uma jovem morta, tingindo de vermelho a água da piscina, um rapaz correndo e caindo com a perna ferida, um homem atônito com uma pistola aos seus pés, a polícia se arma e manda que Solépatra coloque as mãos na cabeça...
Algemado, Solépatra é conduzido à viatura policial, enquanto alguns para-médicos do corpo de bombeiros cuidam do jovem ferido na perna.
Ao chegar em casa, os filhos de Solépatra presenciam esta cena dantesca, de muita gente no jardim, esguinchos de água sobre a casa tomada pelo fogo, pai preso, o casal de empregados baleados e nada entendem...
Ao passar pelos filhos, Solépatra diz:
- Meus filhos, quando os bombeiros apagarem o fogo, tranquem os portões e vão para casa de seu tio Ariosvaldo... daqui a uma hora eu chegarei lá...
Os filhos se olham atônitos:
- Você não dizia que queria mudar de vida?! Que sua vida era chata e precisava de uma sacudida?! Pois bem, agora ela vai mudar radicalmente...
- Ô, se vai... mas por quê papai falou que vai ao tio daqui a uma hora?
ME AJUDEM A DEFINIR ISSO, É SÓ VOTAR NA CAIXA AO LADO
O que tens?
O que será que existe por baixo dessa pele nívea?
será uma alma tão branca
quanto a cor da pele anuncia?
será sonhos tão claros como a neve denuncia?
ou será uma alma mais escura
que as intermináveis profundezas abissais?
Quem habita abaixo desses negros fios de cabelo?
um anjo em forma humana que não perturba
mas que acompanha?
uma criatura perfeita
que de tão bela, não pensa ruindades
ou maldades quaisquer?
ou um demônio em forma de mulher,
que só maquina coisas graves,
que deseja o mal da humanidade,
que pensa com egoísmo tudo o que faz?
Quem habita essa mente?
O que será que eu encontro
debaixo desse peito humano?
um coração saltitante, alegre, sorridente e falante?
ou será que há somente,
um coração duro e amargo,
cheio de dores e fracassos?
O que acredito exista
é uma mulher nem alegre, nem triste,
me vive e que não assiste de camarote
sua própria vida.
Virtudes e falhas a compõem
e sua vida
desmente seu nome,
e honra sua existência.
O que tem certamente na mente,
no corpo e no coração teus
nada mais é que tu mesma,
inegavelmente perfeita
mesmo que com imperfeições,
pois perfeita não é a pessoa sem falhas
mas a pessoa que se conhece em si.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
NOVELA: Capítulo 7
Ao chegar, Robuvaldo, um loirão de mais de 2 metros olha pra secretária de Solépatra e faz-lhe um sinal para que se retire. Então, a Sra. Rapina, coroona, que liderava a auditoria, vai direto ao assunto:
- Sua empresa possui 347 funcionários registrados, mas verificamos que no total vocês têm 5243 pessoas trabalhando para sua transportadora. Isso lhe dará um auto de infração no valor de quase vinte e dois milhões e meio de previdência atrasada, há dezoito anos...
- Como é!
- Esta tudo nos autos - continuou a chiquérrima Rapina -... temos também contra você a sonegação fiscal de impostos e taxas federais, que montam cerca de cinco milhões...
Solépatra senta-se lentamente, enquanto olha pros fiscais para ver algo que possa fazer para se livrar dessa...
- Mas o que posso fazer, para diminuir ou acabar com isso?
Nesta hora o terceiro fiscal, um senhor de seus sessenta anos, baixo, redondo como uma maça, entra na conversa:
- Olhe, sabemos que estas tuas cãmeras filmam tudo... e aponta para as duas cameras localizadas na sala... queremos livrar tua cara, mas isso te custará um pouquinho de grana...
- Bem... falou a minha linguagem, estamos falando de quanto?
- Estamos dizendo que você traga as fitas dessas câmeras agora pra gente, e desligue-as...
Solépatra rapidamente levantou-se, foi ao canto da sala, abriu uma parede falsa que escondia uma estante com diversos monitores e aparelhos de gravar DVD...
Pegou todos os 16 DVDs e os entregou à D. Rapina.
- Falo em 300 - disse o velho gordo...
- Sem perguntas. Trezentos no total, e você sai bem limpinho.
- Bem, eu não tenho esse dinheiro todo aqui, Vocês têm que dar um prazo...
- Sabemos que você tem um puta cofre - disse o loirão - vamos lá com você, pegar o dinheiro.
- Ótimo, vamos lá pra casa, agora!
E sai a caravana, em fila única, serpenteando pelas ruas da cidade até chegarem ao apartamento de Solépatra, à beira mar. Sobem à cobertura.
Ninguém de sua família sabia da existência desse apartamento, era seu local de orgias, e onde ele guardava o dinheiro. Solépatra conta três mil notas de cem reais e as entrega à Rapina, que lhe estorque em mais duzentos:
- Isso, meio milhão... - disse o gordinho
- Vamos sair daqui, você espera 20 minutos antes de sair... - disse Rapina...
Assim que os fiscais saem, Solépatra pega o telefone e...
ME AJUDEM A CONTINUAR ESSA NOVELINHA, VOTANDO AO LADO
Safira fala que sinceridade não é grosseria
Fiz este comentário em um blog amigo, mas achei tão legalzin que resolvi postar:
Tem gente que se acha grossa, estúpida, grosseira, e muitas vezes não é.
Há pessoas que são hiper sensíveis e tudo lhes molesta e incomoda e ofende.
Que bom que vc se acha grossa, porque ser direta não é ser grosseira, mas direta... isso faz com que você se policie e evite as reais grosserias.
Por exemplo:
Estavamos, eu e uma amiga, conversando (ela me confidenciava suas puladas de
cerca), quando chegou um colega comum... então, fizemos aquela pausa e ficamos com "cara de batata que espera ser cortada em palitos e jogada no óleo".
cerca), quando chegou um colega comum... então, fizemos aquela pausa e ficamos com "cara de batata que espera ser cortada em palitos e jogada no óleo".Daí, um milagre! - pois um grama de semancou surgiu no cérebro do cara, que perguntou todo gentil:
- Tô atrapalhando alguma coisa?".
E eu - direta como sempre:
- Sim, está!... ele sem jeito pediu desculpas e saiu - mas desde esse dia ele mal fala comigo...
Minha amiga disse que fui grosseira - ser sincera é ser grosseira? Para mim a maior grosseria é mentir: "não, que é isso, pode ficar aqui, que continuaremos tão calados quanto o poste!!", isso seria grosseria...
Alguém lhe oferece um pedaço de bolo horrívelmente mal feito, você come e ela pergunta: "é bom?", seja sincera: "- não não é bom está horrível"...
Por isso, minhas amigas e amigos, antes de formular uma pergunta pense: "estou pronta para as possíveis respostas?"
Quem pergunta deve estar dispoto a ouvir qualquer coisa como resposta...
Agora, vão trabalhar, pessoal, que se teu chefe te vê lendo blog na hora do trabalho, cê tá fudiiiiiii...
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Talício sonha com Newton
Primêro vamo lembrá que o cabra chamado Niuton era judeu (vê o nome, Isaac), e viveu a uma penca de anos atrás, e que a coitada da mulé dele só pudia sê paridêra, cunzin-êra e cuidadêra dos bruguelin barrigudin do casá... Aí, o Niuton chegô espavorido dento de casa:
- Mulé, mulé... vem cá mulé... - correno com uma maçã na mão!!!
- Mulé... vem cá... eu discubri uma côsa mulé!!!
A dona Niuta chega correno cum pano na cabeça, cuns cabelo arrupiado e uma bassôra na mão:
- Que foi, homi de Jeová, amém, amém!!???
- Veja isso, mulé!!
Disse o Niuton cuma maçã na mão e o braço insticado:
Aí o Niuton sortô a maçã, que caiu. Claro, ela num pudia ficá afrutuano!!!
...
A dona Niuta olhô pru homi, quebrô as cadêra, pôs a mão na cintura:
- Que é homi? tu tá variano!!
- Não, mulé, vê só...
E Niuton pegô di novo a maçã, insticô o braço e sortô a maçã, que di novo caiu... O riso de Niuton num si contin-a?
- Tá veno, mulé...
- Veno o quê homi de Javé!!??
- Cai! Cê ta veno, a maçã cai!!! e riu, riu muito...
- Homi, dêxa de sê besta!!! Todo muno sabe que a maça cai!
- Sim, mulé, vê só - e repetiu a insperiênça!!!
- Homi, se num qué que caia, bota esse negóço im cima da mesa, ora!!
- Mulé tudo cai... tudo cai...
- Arre égua, homi! Depôis de véi deu pra falá bestêra, foi??!
- Você num intendi mulé!! Eu fiz uma grande discoberta!!!
- Discubriu o quê, homi... que a maça vai caíi se num ficá im cima da mesa?
- Não, muito mais!!! Discubri que tudo, tudo mesmo cai!!!
- Pronto!! Dixe a impaciente dona Niuta - aperreô di vez!! e ainda diz que as muié é mais burra que homi...
- Mulé essa diferença de secsu num entra nexa discussão, não! O negóço é grande, grande mermo... vô fica famoso no mundo todo... Vai tê facudade cum meu nome, museu, praça... tudo. E quano inventarem o prêmo Nobel vão dizê que seria muito bom se pudessem ter me dado um, e praquele tal de Leonardo!!!
- Home, chega!! Já falô bestêra de mais...
- E como você chegô a uma discuberta tão.. tão... tão... importante? - debocha ela
- Bem, mulé, eu tava tirando um cochilozin debaxo da maciêra que seu Dodô prantô aqui...
- Tinha que sê... eu barreno a casa, lavano a rôpa, cuidano dos barrigudin... e tu na fóga, deitado, dormino debaxo da maciêra...
- Mulé essa discussão agora não...
- Tá bem seu inerte (discubri exa palavra onti, e vô usá um bucado: inerte! inerte! inerte! - pensô ela)...
- Aí a maçã caiu na min-a cabeça, e me deu um estralo!!!
- Ainda bem que num foi o galho né!? bem que pudia sê uma bigorna - hehehe...
- Tá vai...
- Poizé... assim eu percebi que tudo cai... que tudo é atraído pela terra...
- Graaaaaaaaaannnnnnde, dãã, procê...
- E isso vai levá a quê homi, o fejão tá pôco, o arroz cabô, a farin-a só tem uma quarta, a carne só de peba - que quem caça sô eu...
- Vê se você dá um jêto de caí din-êro nu seu borso!! Ah, quem atrái as côsa é a terra num é teu borso, não, né!!
- Ora mulé, eu ve-in-o cuma notiça dexa e você me tira de tempo purque num entende!!...
- Tá home, pode sê que você ten-a razão... agora vá tomá bain que o armoço tá quase pronto...
- Mas uma côsa me preocupa...
- O quê home de Deus?
- Por que a terra atrái as côsa? Por que tudo é atraído pela terra?
- É home, a tua preocupação é grave, é muito grave mermo (debocha ela)...
- É... é grave mermo mulé... é grave mermo... é grave... é gravíssima. muito gravíssima - e sai pensano: vô coloca o nome dexa força de gravidade, mas aina tein-o que discubri o porquê que ixo acontece...
Arre... aí eu acordei e fiquei pensano, cumé que exes home e mulé das ciença cunsegue vê côsa que as pessoa comum num consegue?
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Eu quase de volta
ô semanas complicadas...
na primeira do mês fiquei em Fortaleza, tinha tanto trabái que o único riso que eu via era o meu no espelho no banheiro do hotel de madrugada, antes de ir pro trampo... aquilo era riso ou bocejo?
na segunda, fui pra Russas, ao chegar lá, o prefeito reeleito decretou feriado municipal na segunda, e na terça era dia de padroeira - feriado de novo - mas como fui pra fazer trabalhos internos, sem atender o público, tranquei-me na agência e pus-me a trabaiá.
aí, meu tornozelo achou de entortar-se e lá fui eu pro chão, dentro de uma agência da Receita, sozinho, sem telefone de ninguém, numa cidade deserta e cheia de desconhecidos... torci o pé, às 10 horas da manhã, só consegui atendimento às 16 horas - ô dia longo!
Hoje, 10 dias depois do incidente, o tornozelo continua inchado...
Pra melhorar, meu lap-top deu pau... a tela só fica escura e parece que o conserto custa mais caro que um mais novo e com configuração melhor... assim...
Não satisfeito, achei de pilotar uma motozinha, com o pé imobilizado, adivinhem.... TOMBO!!!
Minha cervical ficou toda embaralhada, as vértebras trocaram tudo de lugar e a moto foi pra oficina, um dia ela volta!!!!
Fui medicado por um profissional que não escuta bem: Ao lhe dizer que eu era diabético, ele - mineiro - entendeu: Torço pelo Atlético, e me disse com ar de mal moço: Sou cruzeirense...
A medicação que ele passou fez meu diabetes subir astronomicamente...
Cheguei em casa: vou usar o desktop de minhas filhas e postar meu blog... que é meu porto de consolação: ledo engano...
O dinheiro que dei pras meninas pagarem a Internet enquanto eu estivesse viajando, elas gastaram num passeio à praia - a Net foi cortada....
Assim, vou dormir lá no quintal hoje, pra ver qual a bruxa que vem me assolar hoje ...
Mas, como sempre digo:
tudo bem, se eu partir nu, banguelo e careca, valeu a viagem!!!
sábado, 11 de outubro de 2008
Novela: Capítulo 6
- Sei não, Lêlê... mas acho que ele não vai pegar pesado com a gente, não!
- Às vezes também acho que não, afinal ele é um cara legal!
- Solépatra é legal!!? ele é um... um.. um safado!
- Por que você acha que ele é um safado?
- E porque você acha ele legal?!
- Bem... é... - Olha Lelê, eu acho ele um safado, porque tem uma mulher maravilhosa, bons filhos, e dá em cima de todo mundo...
- Ele já deu em cima de você? - Olha... é assim...
- Hummm
- Ele um dia me pegou nos dias de carência e... rolou...
- Só uma vez?
- Que pergunta? Não... me desculpe Lelê, mas eu e Solépatra somos amantes...
- Que safado!!!
- Sim, mas porque você acha aquele nariz empinado um cara legal?
- Bem, é que quando eu cheguei do interior, não tinha onde ficar e Solépatra me ofereceu sua casa... pra eu ser jardineiro...
- Sim, mas ele te paga, te enche de trabalho e vive de enchendo o saco!
- Bem... querida, eu e ele também temos... um caso...
- O quê!? Vocês dois são gays?
- Não é bem assim, nós somos bi...
- Eu não acredito!!!
Assim, o casal se veste, ele meio lento, quase encabulado; ela furiosa:
- Sim, meu bem... mas quando você morava com as irmãs, você também teve caso homossexual com elas...
- Vai me jogar no rosto meus erros do passado!?
- Não, meu amor, só quero te alertar que todos somos pecadores, e nenhum de nós é santo!!! Logo, a conversa se torna amena, e começam a beber um vinho, dois, três e decidem...
- Vamos ferrar Solépatra!!! Vá na garagem e me traga gasolina Nisso ela liga o gás de todas as bocas do fogão sobe a casa rasgando as cortinas e derramando álcool, óleo de cozinha, espalhando papéis... Pega a gasolina que Lê trouxe e continua derramando:
-Meu bem, pegue o vinho do porto que está na adega, leve pra piscina...
E lá vem a nossa amiga cozinheira, desvairada, derramando fogo pelos quartos e corredores do segundo andar, escorre pelas escadas, sala, estúdio, biblioteca, salas, copa, cozinha... e corre rindo à piscina...
Tchubum lança-se ao banho mais delicioso de sua vida... e tira sua roupa durante o mergulho. O jardineiro entra na onda e se despe também... e ficam os dois em suas bóias, completamente nus, bebendo vinho, enquanto a casa arde em chamas...
- Que bom queeste jardim é grande, assim estamos protegidos do incêndio ... há há há há... Ao chegar na transportadora, Solépatra deixa sua 125 na entrada e vai direto ao escritório falar com os fiscais da Receita: - Pois não, meus bons homens!!!
AJUDEM-ME A DECIDIR O QUE ACONTECERÁ, votando ao lado
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Uma bolsa quebra???
Lembram daquele garoto que fazia a 5ª série e vivia me perguntando coisas, terminou de me ligar e pediu pra eu explicar porque as Bolsas Quebram se são os investimentos que mais rendem dinheiro?
Em poucas palavras; é o mesmo que uma pirâmide...
Mas lá vai:
O Sr. A pede 100 dinheiros emprestado ao senhor B, que empresta.
B, pede 100 emprestado a A, antes que A pague - A, empresta.
A pede mais 50 a B, que empresta e pede a A mais 50, e a C 150
A empresta os 50 a B e 150 a C
Depois A pede 200 a D, que empresta e pede 100 a B e 100 a C...
Se as pessoas não cobrassem juros em seus empréstimos rapidamente se resolveria esta equação, mas cadaum coloca o juro que quer, no final das contas se o Sr Y diz, queroque todo mundo mostre quanto tem em dinheiro vivo... todos terão somente promissórias a receber... o dinheiro que negociam é puiramente virtual, ou seja, a liquidez não existe, então... todos vão quebrar!!!???
Só não quebram poorque o Sr. Governo dá dinheiro pra todo mundo (diga-se de passagem, que já são podres de ricos).
Aí vc me pergunta: por que o Governo dá ou empresta dinheiro a eles?
A resposta é simples: porque são esses caras muito ricos que bancam as campanhas políticas dos governantes, que uma vez eleitos têm que pagar o "investimento". Por isso que não é nada bom votar em pessoas que têm campanhas muito ricas, cheias de propagandas na TV, cheias de panfletos e carros de som - campanhas caras significam muitas alianças, quesignificam que o dinheiro do Governo irá ter que pagar quem investiu na Campanha...
Safira fala sobre informação e formação
Hoje a sociedade, mais que nunca, detém informações. Os jovens e as crianças de hoje possuem mais informações que as gerações anteriores... muito conhecimento lhes são passados diariamente nas mais diversas áreas - sabem línguas, geografia, história, informática, política, cultura, artes, saúde... e entendem tudo isso...
Mas o principal problema que encontramos hoje no meio dos jovens, adolescentes e crianças não está relacionado aos conhecimentos que possuem, pois há toda uma gama de informação, o que me preocupa é o que fazer com tudo isso. O problema é a falta de formação.
Nossos jovens têm uma excelente quantidade de informações, mas o que lhes falta são os crivos de uma boa formação, que cultive bons hábitos, valores pessoais, espirituais e sociais que realmente valham à pena serem desenvolvidos e praticados.
O fortalecimento das relações estáveis, como a familiar, tem dado espaço para as relações superficiais e efêmeras; os valores do bem social, cede cada vez mais espaço ao cuidado com a individualidade e com a pessoalidade; nos anos 60 a ênfase social estava no ser sobre o ter, no final da década de 70 e durante todas as décadas de 80 e 90 a ênfaseera do ter sobre o ser, nestes anos 2000 inaugurou-se a idéia do aparentar sobre o ter e sobre o ser.
Isto mostra uma perigosa inversão dos valores sólidos aos valores cada vez mais frágeis, pois a aparência é enganosa e fugaz, é volátil e insólita, e prende-se aos modismos e ao imediatismo, que no final não traduzem felicidade nem bem estar duradouros.
A ênfase no marketing pessoal, no egoísmo, no conjugar verbos no singular (eu, meu, minha) no lugar do coletivo coisificam as relações humanas e enfraquecem as próprias perspectivas de futuro.
Sem uma boa formação cultural, afetiva, social e relacional, todo este acervo de informações que se recebe não terá valor algum, funcionará como um verdadeiro plantar milharais sobre rochas.
Informação é muito importante para o progresso pessoal e coletivo, mas sem uma boa formação, as pessoas não saberão o que fazer com seus conhecimentos, pois não saberão como empregar socialmente o bem que receberam.
É imprescindível que não esqueçamos que todas as riquezas trazem responsabilidades sociais.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
NOVELA DAS SEGUNDAS-FEIRAS - Capítulo 5
Solépatra, como todo voyer, mesmo se ardendo de ciúmes, assistiu todas as cenas e posições entre o jardineiro e a cozinheira. E assim, entre beijos, tapinhas, puxões de cabelos, balcão da cozinha, cabos de panelas... os ponteiros do relógio não pararam, e logo chegam nove horas, instante em que o telefone da casa chama, uma, duas, cinco vezes...
- Alô... diz a empregada com as faces avermelhadas e a voz ofegante... não, o seu Solépatra não está... como assim, ele veio para casa? como?! ele pediu pras... ligações... serem transferidas para cá? - ai meu Deus!! - a senhora quer deixar recado? Hum, certo, vou dizer pra ele... certo entendi...
- Meu Deus , Lêlê, o patrão está em casa!
Nessa hora Solépatra chega na cozinha e vê o casal despudorado na cozinha, numa imagem nada ortodoxa... sem dizer palavra vai à geladeira pega um copo de água, e sai... ao cruzar o limiar da porta:
- Esperam que tenham se divertido muito...
Em pânico, ambos não sabem o que fazer.
A cozinheira espera o tempo suficienteb para que Solépatra chegue ao quarto e lhe liga:
- Doutor, sua secretária ligou e disse que tem uns fiscais da Receita Federal querendo falar com o senhor, mas ela não disse onde o senhor estava...
- Obrigado................................... vadia.
Solépatra se veste rapidamente, desce as escadas e dirige-se à garagem. Na passagem pela cozinha ainda vê o casal semidesnudo, e não perde a oportunidade...
- Vocês sabem o que fizeram, e quantas vezes... sabem o que eu deveria e o que eu poderia fazer... talvez não saibam o que vocês devem ou irão fazer, mas quando eu voltar espero que já tenham se dedidido qual a melhor atitude de vocês...
Como sempre, Solépatra não espera que lhe dêem resposta e sobe em sua velha CG 125, e sai em direção à empresa...
"Os homens da lei não podem comigo, chegando nessa motinha, nunca desconfiarão que sou um homem de posses, há, há, há, há"
Brurururururuuuuuuuummmmmm, e a moto sai levantando uma fumacinha...
- Na cozinha, e agora meu bem... o que vamos fazer?
- Sei não, Lêlê...
AJUDE NOSSO CASAL DE AMANTES AMIGOS A DECIDIR QUE DECISÃO TOMAR!!!!!
VOTE NA ENQUETE AO LADO - AS VOTAÇÕES AGORA SE ENCERRAM NA QUINTA-FEIRA AO MEIO DIA
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Família de Dayse
Eu até pensei que papai e mamãe fossem se separar. Eles brigavam tanto, que eu achava que eu seria a próxima menina da escola que chegaria tristinha na sala de aula e contaria que meus pais não se amam mais, e que a professora me daria toda a atenção, me perdoaria a nota baixa em Matemática e diria que não tinha problema se eu faltasse aulas naquela semana.
Todos os meus coleguinhas da escola têm seus pais separados, só não eu, a Esforência e o Luciângelo. Alguns nem conhecem seus pais, como a Risa, a Marcedolina, a Di, a Zi, o Pauên, o Igo e o Xenofonte.
Outros não conhecem a mãe, como a Socorrilda e o Milzo.
Vivi, Mênho, Joetilço, Bebé e Piér não conhecem nem seu pai nem sua mãe.
Brino, Rogelson, Edinelso, Chikin, Toín, Nebozaradão, Manelito e Beócia moram ou com a mãe ou com o pai, mas conhecem os dois...
Assim, eu estava me sentindo a ovelhinha negra da sala.
Saí pra escola, como sempre, com vontade de pertencer ao grupo das crianças com pais separados, afinal ter família organizadinha: papai, mamãe, filhos, tios, vós, hora-de-chegar, hora-de-sair, hora-de-dormir e de-acordar, tudo organizado, igreja aos domingos, fardinha limpa e engomada, deveres de casa todos feitos, era tudo muito chato!
O bom seria ser diferente do que se espera, chegar atrasado, chamar palavrão por qualquer coisa, não ter hora pra voltar pra casa, mentir pros pais e nunca ser descoberta (mesmo porque eles nem quereriam ter o trabalho de investigar a grande mentira que eu contasse), ser... ser... rebelde... isso sim seria o máximo!
Meus pais discutiam e eu saí pra escola sozinha:
- Não precisa se preocupar, papai, eu vou de carona com a Magali!
E vim a pé mesmo...
Quando cheguei em casa, vi duas enormes bolsas arrumadas na sala: "vão se separar, oba!!"
Meu pai desce a escada suado, com ar de cansaço... minha mãe desce atrás com a face vermelha e toda despendteada, e também com ar de cansada: "tavam brigando! Será que meu pai bateu na mamãe!?" - o ódio quis me dominar, mas o dominei.
Ainda parada na porta vejo meu pai vindo da cozinha com um copo dágua na mão, colcou a mão na cintura da mamãe virou-se pra mim:
- Filha... (para cada palavra que ele falava aparecia em minha mente um monte de imagens)
- ... Nós vamos... (vão se separar)
- ... Fazer uma viagem, ... (vão me abandonar, vão me deixar sozinha!!!)
- ... Já que hoje é quinta-feira santa... (vão passar o feriadão fora e voltarão com a péssima notícia do divórcio: ôba!!)
- ... Eu e sua mãe decidimos... (sei que foram eles que decidiram, e essa cara vermelha dela? esses risos falsos de vocês não me enganam... hipócritas... com essa carinha de desconfiados - sim, eu sei de tudo - eu sopu MUUUUUIIIIIIITO esperta!!!)
- ... E já chamamos sua Tia Verdûmena... (a Verde não, ela é muito direitinha, não vai deixar eu ouvir rock, nem dançar, nem dormir no sofá, nem comer na frente da televisão, vai querer que eu coma salada e peixe - árgh)
- ... pra ficar aqui em casa em nossa ausência (merda!!! eles é quem decidem tudo mesmo!!!!!)
- ... Nós vamos a Fernando de Noronha ( e eu?, eu sempre quis ir a fernando de Noronha, e vocês vão fazer essa viagem pro paraíso do Hemisfério Sul para se separararem!!!)
- ... Por isso, arrume suas coisas, que o helicóptero da empresa vai nos pegar no heliporto às 15 horas!!!
Voltamos depois da maravilhosa semana santa, e meus pais são tidos como exemplo de superação e muitos casais quando brigam dizem que queria que o seu cônjuge fosse igual ao meu pai ou à minha mãe.
Muitos têm raiva de nós porque somos a exceção da regra, e conseguimos viver bem, apesar de sermos muito diferentes.
É muito besta isso que eu vou dizer, mas eu amo minha família.
Perdoem, eu só tenho dez anos, sou mimada e naõ aprendi ainda as coisas ruins da vida
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Salto
Um homem solitário subia as escadas da morte, pensando sua desventura... sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem amigos, sem filhos, sem mulheres, sem dinheiro, sem motivo algum para viver, nem para morrer...
- Em quem vou colocar a culpa pelo salto? Escrever bilhete suicida pra quê, se não tenho ninguém que o leia?... se não tenho a quem dar satisfação?...
- Só o vazio em minha mente e em meu peito...
- Não tenho memórias tristes ou boas para recordar, que me impulsionem a subir, nem a descer...
Passo a passo, degrau a degrau, cada vez mais perto do céu, cada vez mais perto do Inferno...
A escada que lhe levaria ao topo, não o levaria para baixo...
- Eu poderia estar subindo de elevador, mas poderia encontrar alguém no elevador que me dissuadisse do ato treslocado... a escada é mais solitária e mais poética...
- Ah, como é bela a vista daqui de cima, esse vento que me assanharia o cabelo se eu não fosse calvo...
- Cuidado ao subir no pára-peitos, se eu escorregar e me machucar não terei forças para o salto...
De uma janela no prédio da frente, um garoto tetraplégico, sentado em sua cadeira de rodas olha para cima e vê o homem... e acompanha com seu olhar incrédulo o vôo vertical, radical, último...
No caminho da descida o homem vê o menino, e vê que uma lágrima descia em sua face pálida de nunca ter sentido o sol - a pólio o havia acometido na primeira infância... o menino viu o homem passar rápido-raio por ele... o menino balança a cabeça dizendo não, meneando-a lateralmente enquanto a água salgada lhe escorria pelo rosto...
- Por que ele chora, se nem me conhece?... ah, se eu pudesse retornar ao topo, perguntaria a ele por que ele chora por algém que não conhece!!!
Olha para cima, e vê o roso do menino ficar vermelho de choro, mas a descida é rápida e não vê mais nada...
O vidro fechado da janela do menino não lhe permite ouvir o barulho surdo do contato do corpo contra o chão...
E o menino chora a morte de quem não conhece, e chora a sua triste vida, que também desconhece.
Novela das Segundas-feiras - Capítulo 4
Novela das segundas - Capítulo 3
Ao cair na enorme cratera feita pela chuva e ver sua BMW comprada com dinheiro espúrio, vindo do caixa dois de sua empresa de transportes, Solépatra abre num ímpeto seu porta-luvas, pega sua Magnum 44 - Parabellum, com cabo de madrepérola, toda niquelada, que brilhava tanto quanto brinco de perua em reveillon, olha para a multidão atônita com seu acidente, abre a porta de sua ex-possante-BMW e sai com a arma na mão...Pânico, gritos... vai atirar, vai atirar... corram... se deitem... uma babel daquelas na parada do ônibus...Solépatra tava nem aí pra gritaria e correria... desce do carro molhando sua bela Djon e enxarcando sua botas pretas italianas, feitas com couro legítimo de jacarés bebês recolhidos do criadouro natural do pantanal matogrossense, olha pro estado em que ficou seu carro:Pega de sua bolsa um bom e gostoso cigarrete cubano e aponta sua magnum para si...- Vai se matar... corram... não faça isso!! - Corram - algazarra...As pessoas das calçadas gritavam como galinhas em galinheiro que entrou raposa...Ninguém entendia nada, e qualquer um entenderia tudo...Acende seu cigarrete com a pistola-magnum-isqueiro... dá uma bela baforada e pensa com seus botões:- Viva o seguro total!!!O ar esnobe, estava cada vez mais esnobe... Solépatra vai à calçada e pede um celular emprestado de uma adolescente que via tudo... Ligou pro escritório:- Mande Agonivaldo vir me buscar... dá o endereço, e atravessa a rua para não ficar do lado daquela gente que só usa Avanço ou Très Brüt de Marchant.Quando sobe na calçada, uma Brasília 1900... e alguma coisa passa e levanta uma parede de água que lhe cobre... lhe lava da cabeça aos pés...Quando Agonivaldo chega, Solépatra pega seu celular e liga pra seguradora... e volta para casa... e manda recado para dona Sonambulina, sua secretária, que só irá trabalhar à tarde, e que transfira todas as ligações para sua casa.Ao chegar em casa, ouve aquele silêncio sepulcral... as crianças na escola... só o jardineiro e a cozinheira em casa, quando escuta alguns gemidos na cozinha...
domingo, 21 de setembro de 2008
Olhando e partindo
Olho para ti e não te vejo
teu brilho outrora constante é fosco
e tua viva perspicácia apagou-se.
Procuro em teus olhos a chama
vejo-os apagados, só cinza
e tua pele que antes brilhava
está seca...
E te dou flores que preferia não dar
beijo tua face antes quente e macia,
agora fria e pétrida,
e te dou o último adeus
que preferia não existisse...
mas te guardarei vivo em todos os momentos
que a memória não apaga,
nos risos que demos
nas plantas que cuidamos juntos
e até naquela velha blusa do flamengo,
rôta, velha, rasgada, que brigamos
e que traz as alegres memórias
de nossos infindáveis jogos da adolescência...
parte meu amigo
e vá regando o gramado do céu e
preparando um bom churrasco por lá
porque não sei quando
mas qualquer dia certamente
me juntarei a ti, pra mais umas peladas celestiais.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Safira "discute a relação"
Conversava com casais de amigos e percebi como ficam aflitos quando um dos parceiros diz que precisam discutir a relação...
Normalmente, quando queremos discutir a relação, estamos cheias de boas intenções - pensando que podemos edificar o "viveram felizes para sempre", porque esquecemos ou não sabemos que vivemos constantemente em mudanças.
Eu não sou a mesma de ontem, nem você é a mesma pessoa que acordou hoje... nossos quereres mudam, amadurecemos, desistimos de coisas, desejamos outras coisas que não desejávamos...
Como disse o mestre Raul "metamorfoses ambulantes" é o que somos.
Não queremos encurralar os homens na parede e forçá-los a fazer o que queremos, mas de certa forma queremos, sim, que eles façam o que queremos, porque queremos que eles pensem como a gente e sintam o que sentimos... por fim, acabamos os encurralando e os cerceando de qualquer possibilidade de fuga. E para terem paz, ou nos deixa, ou nos conforta! E como a maioria dos homens não consegue acabar um relacionamento...
Na maioria das vezes que queremos conversar a relação é porque alguns de nossos anseios, desejos ou pedidos não estão sendo atendidos e queremos mais atenção, mais carinho, um parceiro mais carrapato... às vezes, quase cantamos como Caetano "por que você me deixa tão solta, por que você não cola em mim", porque apesar de discursarmos sempre que não gostamos de homem grudendo, gostamos menos ainda de homem que não tem ciúmes, que não nos olha, que não nos telefona, nem nos nota. Não queremos ser um prêmio, um troféu... até queremos, sim, mas queremos mais que isso - queremos que nos dignifique a existência com o suprimento afetivo que carecemos.
Quando estamos no período arredio, em que nem queremos ouvir falar em carícias, um chocolate sempre cai bem, porque a dose etílica das barrinhas, logo despertará à afetividade o desejo pelo afeto e pelo beijo... mas sem carinho, sem atenção e sem chocolate - meu amigo, pode esperar: vem chumbo grosso!!
Quando o homem vem querendo discutir a relação, das duas uma: ou ele quer acabar a relação, ou quer nos mostrar que é sensível, porque tá doidinho pra nos deitar... e sabe que um homem sensível consegue isso com muito mais facilidade que um bruto, e nos faz delirar muito mais e melhor.
Mas cuidado, minhas amigas, não vamos fazer de qualquer cois um motivo pra papo sério - o seu carinha quer assistir um futebolzinho vez por outra, tudo bem, faz bem pro ego masculino a roda de machos se vangloriando de serem os tais no esporte e na cama. Nós temos os cabeleleiros, as manicures, as costureiras, os banheiros em boates e barzinhos, os telefones (viva Graham Bell!!! VIVA!!!!) onde fazemos nossas rodinhas e falamos tudo o que queremos, mentimos, nos fazemos de vítimas e de vilãs, os fazemos de vítimas e vilões, esnobamos as que achamos mais bonitas e gostosas, aconselhamos as mais reprimidas e infelizes... mas nada de deixá-los muito soltos, eles gostam de se sentirem propriedade de alguém que finge que não os domina...
Não exija dele o "eu te amo", nem o "eu também", mas meça-o pelo beijo, pelo abraço... ah, nunca faça joguinho, como mandar uma amiga ligar pra ele e passar a cantada, ele pode cair - aí você só cavou um buraco e encheu de lama.
Aprendamos com eles, que fingem que confiam em nós para vivermos bem, e só discutem as coisas que realmente importa na relação - nunca exija que um porco voe, porque porcos não voam, e se seu porco voar, ele nunca mais volta!!!
Não exija que ele seja o que não é, mas faça-o se sentir como ele pensa de si próprio... mas coleira curta, viu meninas, porque eles são mamíferos e reprodutores, que não avaliam muito o valor de sua fêmea se o negócio é cruzar, eles sentem o cheiro do cio feminino e ficam loucos...
E, antes de tudo, saiba onde parar a conversa. Quando você perceber que o assunto está descambando para as acusações (lembrem-se que nós podemos acusá-los, eles NUNCA), ou para a falta de respeito, antes que chegue nesse ponto, entre com a frase: "pois é, meu bem..." e deixe o tom ameno entrar, mude a página do assunto e deixe o amor rolar...
Grande beijo...
PS: ontem li no Exagerado um texto sobre DR e senti-me muito impulsionada a falar sobre isso, então peguei um texto que eu já tinha há algum tempo, desenterrei-o, dei uma pequenas melhoras (ou pioras) e taí, prontinho pra vocês comentarem
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Talício odeia alguém
Brigamo pur causa da Margôt, uma moça que era linda como uma instáuta de mármre, até decidíi ficá cum Mizerivaldo, aí ela virô a Merdareth pra mim!!!
A casa dels pegô fogo na sumana passada e quano eu vi o fumaçá... corri pra socorre eles - tirei ele, a Merdareth, os buchudin dos netos dele e a fía dele que ta prein-a di novo...
Aí ele vêi todo amigo:
- É, seu Talíço, vin lhi agradicê pelo que você fez por min-a família
- Tudo bem - disse eu com aquela cara de paizage - tava nem aí pra ele!!
- Ainda bem que num existe mais dizavença entre nóis, né!? - dize ele, todo amiguin
- Num confunda as coisa, Mizerivaldo... eu nunca vô tomá uma cachaça contigo, nem cumê na tua casa, e voce num é bem vindo aqui... Eu num gosto de vancê nem di sua famíi-a... até odeilho vancês... mas eu num pudia dexá vancês morrê dexe jêto...
Ele ficô cum cara de poste!!!
Ora, ora, eu sô gente boa, sô do bem, como diz min-a netinha...
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Amor - e os dois serão um
"Amaram o amor urgente, as bocas salgadas pela maresia, as costas lanhadas pela tempestade... amaram o amor serenado das noturnas praias, levantavam as saias e se enluaravam de felicidade... amavam o amor proibido, pois hoje é sabido, todo o mundo conta..." (Mar e Lua - Chico Buarque)
A proibição feroz da mãe dele, os perseguia, e ele sabia que ela o mataria se pudesse, mesmo assim fugiam para se encontrar... no mar, nas grutas e cavernas, no meio ao milharal... ele a levava aos ares, flutuava entre as nuvens enquanto sua mãe não chegava...
A pequena aldeia que ela morava temia a fúria da sogra poderosa - arrasaria as lavouras e todas as pragas que pudesse vingariam violentamente sobre aquela gente tão pobre e tão mortais.
Ele era o símbolo da perfeição masculina humana; ela, a beleza e perspicácia feminina personificadas... quando se viam seus olhos ardiam de paixão e libido, suas mãos suavam perfume e seus sexos se desejavam sempre e mais...
O dia amanheceu meio nublado, como é comum no Mediterrâneo naquela época do ano, o casal de amantes se encontraram nas cavernas ao sul de Chipre, enroscaram suas pernas e num ardente beijo se despiram... ele a conduziu no braço, num abraço, às nuvens, subiram e se esconderam entre as densas nuvens-chumbo que se precipitariam sobre as lavouras, trazendo prazer aos agricultores e pastores... abraçou-o com suas pernas brancas e lisas e sentia seus sexos se afagarem, se penetrarem, se amarem... rodopiavam no ar...
Ah... tanto ardor, tanta felicidade, tanto medo... a sua sapiência divina percebeu a aproximação de sua mãe... ela vem furiosa à procura do filho - esse ingrato que se envolve com qualquer uma...
Mas ela não era qualquer uma... era a mais bela, mais meiga, mais gentil, menos dissimulada e mais perfeita criatura nascida de um ventre humano...
O medo, o amor, o desejo fizeram com que se abraçassem mais e com mais intensidade apertando-se, entranhando-se, tornando-se um só...
Num assaz que somente a divindade permite, Hermes e Afrodite se fundem num só corpo, indissolúvel, inseparável, uno - tornam-se uma só critura, hermafrodita, criando no Olimpo e na Grécia o primeiro ser que traz em si os dois sexos.
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