quinta-feira, 12 de junho de 2008

Alergia


Meu plantão de quinta=feira foi um doa mais puxados de minha longa vida de enfermeira da emergência.
Houve um tiroteio entre dois grupos rivais na Favela do Quasímodo, e quando a polícia chegou os dois bandos de traficantes se viraram contra a força policial - o hospital da região ficou apinhado de gente, então começaram a enviar alguns de seus feridos para os outros hospitais.
Quando entrei no plantão, às 18 horas, do estacionamento, onde coloquei meu carrinho zerinho que só tinha dois dias de dervirginado (lindo, meu fofinho), já dava pra perceber o caos.
Quase que eu me benzia, tomava banho de pimenta, andava sobre brasa viva, entrava no mar de costas - mas como sou cética, nem "ai meu deus" eu disse, só respirei fundo e fui lá: Coragem menina, quem já enfrentou o quevocê enfrentou pode encarar essa sem medo!
Quando faltavam uns dez minutos pra meia noite, ouvi o silêncio pela primeira vez naquela noite - consegui entrar no banheiro e fazer o xixi mais delicioso de minha vida. Mas quando deu duas horas, os corredores estavam limpos, o silêncio da madrugada começou a se misturar com o frio da leve geada que iniciava, aí pensei: Um banho, um bom e demorado banho, um café bem quentinho e doce e um cochilo de 15 minutos, hoje fiz valer meu salário do ano todo.
Mas como alegria de pobre dura bem poquinho, a ambulância chegou com um paciente ferido à bala.
Jovem, bonito e forte, o rapaz estava lúcido e nos contou que fora alvejado por um marido ciumento.
Nas aferições iniciais, medimos sua PA, temperatura, verificamos se era diabético, hipertenso, aquelas coisas de praxe, até que lhe perguntei:
- Você possui alguma alergia?
- Sim, doutora - sou alérgico a bala.
Eu não pude me conter e soltei uma grande e ruidosa gargalhada.

Ouvido de tuberculoso

Quem trabalha na saúde sabe bem o porquê desta expressão.
Nesta última semana, em que estou enfermo e acamado - o negócio foi forte - eu ficava com os olhos lacrados com compressas, TV desligada, o mó silêncio... como nossa audição é poderosa!! pasmei!
Eu ouvia passos, insetos... veículos... tudo tããããão distante, mas audível e compreensível.
Pena que nestes dias, que ainda não se acabaram, minha conscência não me acusou de nenhum erro - isso me deixou preocupado, porque ou sou tão perfeito que nada condene ou pese minha consciência, ou estou tão mau que minha consciência está cauterizada e não consegue mais me convencer de nada...
Obrigado, amigos e amigas, pelos votos de recuperação... logo logo volto com tudo!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ai, ai, ai...



Eu não pude deixar postar:


- No RS o aeroporto, aviões nem açam vôo nem aterrisam, aí o pessoal reclama - Cambada, o que é pior, atrasar um pouco o vôo por questão de segurança ou arriscar-se vidas permitindo vôos sem teto? O pessoal quer é reclamar, mesmo


- Em Recife, o Galo da Madrgada está de luto, devido a morte de um de seus fundadores


- Duas "corridas malucas" ontem: a da F1, no Canadá, e a corrida maluca de Fortaleza... tudo muito divertido


MEUS AMIGOS, TO COM UMA CONJUTIVITE ENORME... E DENGADO... ASSIM QUE MELHORAR VOLTAREI


sábado, 7 de junho de 2008

Incerteza

O ruim de aguardar não é a espera é a incerteza. Como ter certeza se minha vida é tão cheia repleta de surpresas?... grande parte más... Nunca tenho paz, sempre tensão sempre amar errado sempre esperar quem não vem, ou vem, mas nesse esperar esse esperar não me dá certeza Sofro aguardando, querendo um sim só tenho talvezes, mesmo que sejam sim no final. durante toda a espera, talvez. Ter-te, enfim, comigo é o sonho, aguardar-te é o cochilo, a ânsia, a falta, a dor-de-cabeça, a incerteza.
Venham curtir a Rádio Camanducaia, vocês vão se divertir... é só ir clicando no comércios que carrega a faz o anúncio... Tô de molho em casa com uma conjuntivite, mas rindo a beça.

Canto solene


Meu coração assovia nossa canção
em alto e bom diapasão,
silva a todos teu nome
depois se fecha e some

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Se o horário é o de Brasília,
por que trabalhamos
nas segundas e nas sextas feiras?

Amor na Estrada




Ela pedia carona. Saia justa e curta expunha as pernas brancas mais bonitas que já vi, de longe eu a avistava, e meu velho carro se aproximava. Em minha frente íam duas 4x4, pensei: "ela pegará carona com eles", engano, pedira que eu parasse...
Seios firmes, olhar penetrante de "foda-me, please" e que boca... entrou no carro:
- Pra onde você está indo? -perguntei gentilmente
- Para a lua, riu... pronto, eu já estava enfeitiçado... um cd de músicas de diversos estilos tocava e começamos a conversar sutilmente sobre assuntos banais, ela sempre sorrindo pegou em minha coxa e a apertou... senti-me viril e ela percebeu.
Sem dizer palavra, levantou sua minúscula saia e tirou a calcinha que a incomodava e a lançou pela janela... eu ficando mais viril... ela passou o dedo em seu sexo e com a umidade que vem de lá, passoua-o em minha boca... delícia de sabor feminino...
Ela começou a me alisar o membro cada vez mais ereto, abriu minha braguilha e me expôs, não impus resistência ao sexo oral que ela iniciava...
Ela virou-se para mim, colocou os joelhos sobre sua poltrona e enquanto me segurava com uma mão, com a outra alisava-se e gemia enquanto lambia-me, mordia-me e sugava-me...
Controlei-me para não perder o controle da direção, que sintia oscilar, aliviei o pé do acelerador para corrermos menos riscos... a música, os gemidos, os movimentos, a noite, os espasmos do orgasmo que vinha, mas me segurei: agora não!
As serras, a lua, as nuvens, lá embaixo o mar... vi uma picada à direita, entrei...
Cedi-lhe meus beijos, afagos, carinhos e carícias, tirei-lhe o decotado top branco que usava, ela me rasgou a camisa vermelha que eu vestia... saímos do carro...
Dispiu-me também, ela esganchou-se em mim e a penetrei, áááhhh... com ela sobre mim levei-a ao capô traseiro de meu sedan, ela saiu de mim e subiu a capota, subi também e deitei-me sobre e dentro dela.
Ela saíra debaixo e sentara sobre mim, em movimentos e fluxos, seios balançantes, cabelos ao vento, gritos, face ficando quente e vermelha, a lua por trás, a lua por trás, a lua, a lua, a lu, a lu, a, a, a, aaaaaaa lu-a por trás... seu corpo quente e suado naquela noite fria deitou-se sobre o meu... rendemo-nos uns vinte minutos ao cansaço.
Nos levantamos, nos vestimos e voltamos ao carro...
Retomei a estrada e segui nosso caminho, ela estava agora com um lindo riso em seu rosto, e eu com um riso cúmplice... ela reiniciou as carícias em mim, e recomeçara a oralização do sexo... quis me conter, mas preferi sentir orgasmo em sua boca, e quando estava no meu gozo mais extremo, ela abriu a porta atrás de si com os pés, afastou-se de mim e disse-me:
- Tchau meu anjo... e saltou do carro... Eu a vi subindo e indo, voando à frente do carro... hipnotizado olhei para ela e não percebi a curva...
Meu carro voou no despenhadeiro para o mar, enquanto me afogava a vi subindo à lua... por isso que lhes disse, meus Anjos, que morri de prazer...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Talício conta Santinha


Quano eu inda morava no Piauí, cunheci Maria dos Santos, que todo mundo chamava Santin-a.
Mas todo mundo chamava e ela vin-a. Vin-a e se dava bem, mas dava bem mermo.
Procês terem uma idéia, ela era uma boa moça, de famíia. Seu pai era o jardinêro do fóru e sua mãe era copêra na iscola e ela era uma das minina que a gente achava das mais bunita.
Hilderôncio foi seu primêro namorado quano ela tin-a treze anos. Ricardoberto foi o segundo, êta paxão lôca, ela quase que amaluqueceu... mas asdispôis que a dô passô, ela reconstruiu sua vida. Aí veio uma fila inorme: Rogerildo, Albertolúcio, Bernardonildo, Jean Pierrildo... aí ela quis sê mulé...
Nesse tempo ela namorava o Bernardonildo que tin-a o maió respeito pela moça, mas ele num sabia que o maior disrespeito para uma mulher é respeita-la demais.
Cumu ela quiria semvergonice mermo, cumeço a sincontrá com o Pierrildo... esse era boa pinta, bunitão, sorridente, atileta, e muito brincalhão.
Pierrildo já tin-a morado com uma coroa na vila do Tico-tico, era experiente embora novo. Aí,
pra alcançá a intimidade com Santin-a foi fácin facin...
Logo eram amantes, até Bernardonildo discubrii, aí foi feia a briga...
Bernardonildo deu uns tapa na Santin-a e uns murro no Pierrildo... mas eles nem ligarum, afinal sintirum foi alívio, purquê agora pudiam namorar abertamente.
Mas Pierrildo tin-a um grande defeito: era pabulador!
Saía contano pra todo muno o que fazia com a Santin-a, ele sisqueceu que quem come calado come duas vez - Santin-a ficô falada no arraiá e jurô que nunca mais ia namorá, qual o quê... mudô-se pra morá numas casa de famíia na cidade grane e lá se perdeu de vez...
Homi, mulé, portêro de prédio, intregadô de gás, puliça, ôtras impregada... dava mais que maracujá... até que num dia pegô um isquentamento e ôtras duença da rua.
Vortô pro arraiá e ficô sem namorá mais ninguém...
Nessa tár de abstenção, Santin-a coin-e-cêu Ritágela, morena formosa que contrastava com sua pelin-a branca, seios grandes e seios pequenos, mulherão e pequerrucha... cumeçarum a namorá. Santin-a se paxonô por Ritágela... mas um tio da Santin-a não gostô da história da subrin-a sapatão, intonce marcô um farso incontro da Santin-a com a Ritágela, e, de tocaia, matô a namorada da subrin-a.
Santin-a entrô em pânico e resolveu sê frêra.
Foi pra sua úrtima festa num mês de maio, asdispôs entrou no convento.
Inda ontonte, cunheci uma frêra, a Irmã Osvalderina, que me dixe que Santin-a morreu há cinco ano, mas que era muito quirida pelas irmãs mais velha.
Ela era a frêra responsávi pelas iniciante e pelas noviça...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Emprego: oferece-se



Estamos contratando pessoa sem experiência, pode ser cego, aleijado, ter paralisia cerebral ou demência, esquizofrenia ou qualquer patologia que o impessa ver, andar ou pensar.
Pode ser preguiçoso e dorminhoco, pode levar um colchonete para dormir no emprego ou viver embriagado (drogado não, porque é ilegal).
Vantagens: viagens, fama, patrocínio e dinheiro
Justificativa: com 32 gols pró em três partidas, e nenhum gol contra (12x0, 9x0, 11x0), no Grand Prix de Futesal em Fortaleza, Seleção Brasileira comprova a veracidade das pesquisas realizadas por grandes Institutos Científicos que dizem que a profissão mais desnecessária no mundo atualmente é a de Goleiro de Futesol da Seleção Brasileira
Função: Goleiro da Seleção Brasileira de Futesal
Riscos: morrer de tédio na pequena área

Safira fala de bigamia

Estive passeando pelas páginas bíblicas e achei um caso de bigamia que me chamou muito a atenção. Não, não se preocupem que não vou entrar nessa de condenar os costumes do povo do tempo bíblico, eram outros tempo, outra nação, outra realidade...
Bem, primeiro vou narrar rapidamente a história, depois comento:
"Jacó encontrou Raquel e se apaixonou por ela, pediu-a em casamento. O pai dela, para consentir no casamento fez uma exigência: Jacó trabalharia para ele por sete anos. Passados os sete anos, Jacó foi enrolado pelo sogro que deu-lhe por esposa a caolha Lia (ou Léia), com a desculpa que não é costume a mais nova casar antes da mais velha. Jacó então se propôs trabalhar mais sete anos pela mão de Raquel, contudo casaria logo e passaria os sete anos trabalhando. Feito o acordo, Jacó tinha duas esposas, mas pela ironia do destino, brincadeira de Deus, azar ou sei lá o quê, Raquel era estéril. Assim Lia deu a Jacó 6 filhos e uma filha. Raquel tomou sua escrava e deu pra Jacó ter um filho com ela (pensando se a ecrava é minha, sua cria tambem será), Jacó topou e ó: dois filhos da escrava; Lia, viu que Jacó queria era furunfar e deu a ele sua escrava também e, pimba, mais dois filhos. Aí Raquel pariu também, primeiro José e depois, Benjamim. Raquel morreu no parto de seu segundo filho."
Muitos leitores bíblicos entendem que Raquel representa a mulher-carne, desejo do homem e Lia como a representação da proposta-de-Deus, pois ela teve como número de filhos a soma dos filhos da irmã e das escravas, e porque é da linhagem de Lia que vem Jesus, que era da tribo de Judá (segundo filho de Lia).
Pensemos quanto estas irmãs-mulheres tiveram que se aturar, quantas rixas, quantas queixas, quantos queixumes a Jacó, quantas brigas e ameaças, o negócio foi ma baixaria tamanha, que uma irmã pagava pra outra:
- Mana hoje tô doida por uma noitadazinha com Jacó, quanto vc quer pra eu...
- Tanto...
- Ok
É, minhas amigas, as duas viraram cafetinas e freguesas para o uso de Jacó, o pau-de-mel. Até s mandrágoras (que elas consideravam afrodisíacas e fertilizantes) eram negociadas entre elas. Mas (sempre tem um mas)... Raquel roubou as estatuetas de seu pai, no di em que iriam mudar-se para as terras do pai de Jacó.
Furioso, o sogro de Jacó partiu ao seu encontro:
- PQP cara, como é que você, além de levar minhas filhas embora, ainda rouba meus ídolos?!
- Roubar, eu!? - aí Jacó amaldiçoou Raquel - Que Deus me julgue, e morra prematuramente quem tenha te roubado os ídolos!
O velho, muito chateado saiu procurando as estatuas sem nada achar, quando chega para Raquel, ela sentara-se sobre os ídolos dentro de um alforge:
- Pai, tô menstruada e ainda não inventaram absorventes, nem calcinhas, então se eu levantar vai ser aquele vexame...
- Ok, filha!
Ainda jovem, cerca de 25 anos, Raquel ao parir Benjamim, morre. A mulher era tão sórdida que morrendo diz que seu filho deve ser chamado de Benoni (filho de minha dor - ou filho de minha morte)... imagine ele levar a culpa da morte de sua mãe no nome...
Jacó deu-lhe o nome de Benjamim (filho de minha maturidade, ou velhice), pois lhe seria o último filho.
Depois da morte de Raquel, saem do cenário bíblico Lia e as duas escravas...
Hoje, somos tão donas de nossos homens que, sabendo levar, comem bem miudinho em nossas mãos, basta deixar que eles pensem que estão decidindo. Como foi com elas...
Devemos brigar com eles? sim, mas sempre estar disposta a perdoar, lembrando que estar disposta a perdoar, não quer dizer perdoar, mas deixá-lo saber que podemos perdoá-los se... e aí barganhamos o que queremos...
Passados alguns dias, se eles não aprontarem outras, desenterramos o erro do passado para coagi-los, para que se sintam na defensiva, e possamos barganhar novamente atenção, carinho, saídas, genilezas, uma viagem à praia, uma hiper qualquer coisa...
Temos algumas vantagens, que eles não me leiam, que fazem toda a diferença: nossa voz, que amacia facilmente e comove o coração masculino mais duro; o diabo da virilha, que faz com que o homem morra ou mate por ele, que o deseje sempre, que o persiga e o use, sempre que nós queremos, porque temos as enxaquecas, as indisposições femininas; e a maior vantagem, menstruamos e sentimos cólicas, mesmo quando não sentimos.
Vocês já viram a carinha de bom moço quando nos contorcemos de cólica? Não é lindo senti-los tão assim, assim... domados?
Em certa época do mês estamos frágil, chorona, dengosa - tudo o que queremos é um homem gentil, dócil, carinhoso; noutra fase, estamos zangadas, arredias, violentas, e precisamos de um homem que decida, que seja macho, que nos olhe com ar de comando, mesmo sabendo que a palavra final é sempre nossa; noutro momento, queremos tudo e precisamos de um tarado, um poderoso macho-da-raça-humana que nos domine e nos possua n vezes no dia; e outras vezes queremos ficar só, não queremos nada de nada. Mas a todo momento queremos que ele adivinhe em que fase estamos e supra nossas carências, senão eles serão rotulados de incompreensíveis, insensíveis, brutos, bananas...
Lia e Raquel bem sabiam disso, que conseguiram manter a relação com Jacó estressando-o sempre para tê-lo à mão, mas dando a ele a certeza que ele é que queria fazer a vontade delas.

sábado, 31 de maio de 2008

A vida de Sergiolêncio

Núvens céu azul vento ar ar ar Pássaro pedra montanha pico dor ar ar ar Núvem saudade riso beijo abraço deuses demônios suor amor vento ar ar ar Beijo saída viagem avião passagem passagem táxi casa passagem quarto gemidos gritos suspiros gritos gemidos amante amigo traição pressa revólver sexo gemidos gritinhos disparos fumaça sangue silêncio morte passagem táxi avião ar ar ar Lembrança saudade lágrima ódio núvem altura vôo ar ar ááááhhh Pára-quedas telefonema latrocídio riso... alívio

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A indústria da pesca

Praia, sol, areia e um passeio descomprometido me pregaram uma peça. Eu caminhava pela praia, quando vi um certo senhor, 25 anos, deitado numa rede amarrada nos tronco de dois coqueiros: - Bom dia, meu amigo. - Hum... bom dia, doutor! - São oito e meia da manhã de uma quarta-feira e você aí, deitado, numa rede!!? - Pois é, né... a sombra é boa, o vento do mar... - Você trabalh com o quê? - Sou pescador. - E fica aí, deitado, numa hora dessas? - Pois é, né doutor... eu saio pro mar às cinco horas, volto às oito, vendo minha pesca, pago o aluguel do barco eas compras na bodega, aí venho deitar... - E quanto você apura numa pescaria dessas? - Bem, hoje eu vendi meus peies por cem reais... depois que paguei o frete, a bodega e comprei as coisas de casa, ainda sobrou trinta reais... - Veja só... você apurou cem reais em três horas de trabalho... se você voltar pro mar, vai apurar duzentos reais por dia... se trabalhar de segunda à sexta, dá mil reais por semana, mais ou menos quatro mil por mês... se você ecnomizar a metade, em dez meses você tem vinte mil e compra seu barco... vai lucrar mais porque não precisa pagar o frete, com mais dez meses outro barco, e assim em quatro anos você terá cinco barcos e pode fretar todos eles, sem nem precisar ir pro mar vai ganhar um bom dinheiro e aí pode comprar casas e alugar... - É... mesmo... mas pra quê tanto trabalho? - Pra investir no futuro... - Pra quê se vivo no presente? - Pra quando chegar na velhice, aposentar e descansar... - Mas eu sou novo e já tô descansando... meu amigo, doutor, a gente precisa de bem pouca coisa pra viver bem, quanto mais coisas você procurar pra você, menos paz tera e curtirá menos a própria vida Virou-se pro lado, e dormiu... e eu segui pensando que tenho que levar a ganância que tenho menos a sério.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Meiassim

Ando meiassim seim sabê onde ficá, num sei se vorto pra casa num sei se me poin-o a vuá... num sei pra quê tanta istrada que leva a nin-um lugá num sei pra quê tanta gente pra gente num con-in-ecê nem pra quê tanta lágrima pra gente nunca chorá... Ando meiassim cun vontade de ficá bein quietin drento de mim que é pra eu num minspantá cuas coisa que vô vê naquele ôtro arraiá qui se chama de cidade e que leva a gente toda a tê baita vontade de vortá. Queruma vida quieta sem asfarto, treim ou moto, que num veja ôinbus nin-úm nem vião, nem o zocrópto... quero vê o sol nascendo por trás do jacarandá e de noitin-a siscondeno no fundo do lago, lááá onde pego meus peixin prum armoço de fartá... quero orvi o vento mexeno as fôia do coqueirá o chêro gostoso dos bicho lá drento do véi currá e aquele bolo-di-míi gostoso só de pensá cum um cafézin moído no arpendre do quintá... Ah como quero o balançá da rede cu-uns grilo a grigrilá, veno as maripôsa anunciando o chuvará e senti os braço gostoso da pessoa mais ispiciá vino divagar, meloso, abraçá, beijá, niná como se eu fosse criança pra do seu cólo quentin-o eu nunca me afastá!
- II -
Êta prédio disgracêra onde fui me arranchá, aqui só só un-as tranquêra, nem nome tein-o nesse lugá só me chamum de caipira olham pra mim de soslái mas quano viajum de féria e vêin pro meu rincão são ricibido bunito, cum riso, cumida e prazer purque cada um nessa terra só dá o que tem in ocê... Êta disgraça dusinferno aqui é tudo disgraça, gente cumeno gente numa ambição taman-i-a quinté parece os jacaré atacano garça cum fome, o egoísmo aqui reina e em tudo que é grande cidade só olham prus-seus-zumbigo e sisquecem que são gente neste mundo disgraçado.
- III -
Áh que saudade que eu tenho das noite no arraiá, das quermesse, das novena, das prosa, das carçada, dos riso sem cumpromisso das moça ino e vino, dos rapáiz só a zói-á e dos pai das moça de longe veno quem vai singraçá... da vida simples que um dia Bandeira achô de chamá de "vida besta", mas gostosa no meio dos laranja... a vida lenta e cherosa dos tempo que num vai vortá mas que nunca foissimbora purque de tudo o que há pra min-a mente cabôca
pudê se alembrá, é dessa vida simpres dos cumpade das amizade dos respeito e divisão que eu gosto de pensá. Ai que sardade taman-in-a será vô vivê pra um dia essa sardade matá? Ô essa sardade um dia me mata de tanto chorá!
- IV -
E a lua carinhosa, desceu um pouco esta noite e calma, risonha e marota deixou um anjo apear que veio devagarinho, à esteira de talício e deu-lhe um beijo na testa enquanto ele dormia... ele sonhou caprichoso que um dia voltaria pra casa e o anjo levou o velho pra visitar todas as terras e rever as pessoas só para lhe consolar... e a viola caiu do cólo, a baba caiu da boca, o corpo caiu na esteira devido tanta canseira. E quando talício acordou via-se de novo menino alegre, traquino e feliz, juntou seus panos de bunda e disse:
- V -
Não me confunda ó cidade, tá na hora d'eu vortá pro lugar em que deixei o meu coração, a terra natá, obrigado São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, obrigado Belo-Horizonte, Fortaleza e Natal, Florianópolis, Porto-Alegre, Brasília, Aracaju e Recife, Macapá e Porto-Velho, Rio Branco e Boa Vista, Palmas e Cuiabá, estô grato a ti também Vitória e Salvador, Goiânia, Manaus, Curitiba, João Pessoa, Maceió, Campo Grande, Teresina e meu gostoso São Luis, por receber todo dia milhões de Talícios que vêem de todo lugar dividino o coração ao mêi, e cum essas viage tôda aprendi uma côsa que levo no peito guardado e pra todo mundo insino: viver é nosso distino, e se gostamos dum lugar mais que de ôtro é disatino purquê o certo é saber que somo cidadão du mundo somo cosmopolita e im tudo lugar que habita um ser humano, intão, é lugar pra si amá e a todos respeitá, purque nossa terrin-a tumém tá recebeno gente nexe exato momento que vem de longe.

domingo, 25 de maio de 2008

Talício e o amigo suicídio

Tein vez que a gente num pode fazê as coisa que quer porque num pode fazê. Eu sempre sôbe que num se pode tomá leite com manga, nem toma bain-o assim que acorda, nem cumê fejão de noite, ô tumá bain-o asdispôis de tumá café, todas essa coisa pode matá. Aí me disserum que num erassim, que isso era história furada e mito. Eu tin-a um amigo que se chamava Elderôncio, ele era mei fraco de juízo e vivia se paxonando. Paxonô por sua fessôra de religião, pela namorada do irmão dele e até pelas mulé que via na televisão. Mas nada comparado ao que sentia por Ritalurde. Ele sincontro cum ela, se paxonô e cumeço a namorá. Bejim-bejim, agarra-agarra, alisamento e pimba... cama! O homi só falava nela. A gente ía pescá, e ele falano nela; se a gente viajava, ah meu Deus, só falava nela, inté nos carteado, no trabái, im tudo que é canto, só falava na Ritalurde... o que ela fêiz, o que ela dixe, o que ela pensa, o que ela num fêiz... dava pra ficá retado de raivoso cum tanto elogio prela. Mas coração de mulé ninguém intende... ela cumeço a gostar de Jeorjidolêncio. E dexô meu amigo Elderôncio mais triste que cachorro que cai de mudança, mas acabrunhado que noive menstruada na noite de nupcia, mais isquisito que frêra grávida. A tristeza foi bateno forte no coração de Elderôncio, ele foi si deprimindo e decidiu por fim nesta tristeza, ía se matar. Numa noite bem iscura resorve íi pro açude se afoga... aí quano chegô na bêra dágua e colocô o primêro pé na água, deu um berro: - Valha meu Deus que água fria - e cumeçô a entrá na água quano parô e saiu correndo da água: - Valjameudeus minhanossasenhora... posso mergula na água não, terminei de tomá café quente.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Safira se compadece

Desde os meus dez anos que percebo a existência do macho da raça humana, esse ser ignóbio, egoísta e que só pensa em prazeres imediatos - coitado!
Quando crianças, nós brincamos de bonecas, de casas, de designer de modas; exercemos profissões de professora, médica, veterinária, cozinheira, donas de restaurantes, além, claro, de termos as atividades costumeiras de mãe, esposa, dona de casa... passamos nossa infância aprendendo a gerenciar recursos, tempo e as vidas que nos cercam. Desde nossa infância aprendemos a administrar tudo, e quando crescemos continuamos administrando nossas vidas profissionais, conjugais e maternas.
Já, os homens, não, estas pobres criaturas injustiçadas e fracas. Sua infância se resume em brincar de carro, bola, brigas ou comer. Quando adultos continuam jogando, dirigindo carros, brigando e comendo.
Quando nos vemos com problemas, nos fechamos em nós mesmas à procura de soluções. Quando muito, procuramos amigas para juntas pensarmos.
Eles, quando enfrentam problemas, saem, vão à busca de lazer ou comida, para fugir dos problemas. Mas quando ficam mais velhos, maduros, aí mostram sua capacidade armazenada.
Eu não gostaria de ser homem.
A sociedade exige que todo homem maduro seja bem sucedido em sua carreira - se aos 40 ele não tiver um carro do ano ou for um dos melhores na empresa, as mulheres o consideram fraco, ou fracassado.
Têm que ser compreensivos, afinal não têm TPM; é necessário que ame a sogra, cunhados e as piadas indiscretas e preconceituosas do sogro. Tem que aguentar com carinho aos filhos da mulher, e aos seus bichinhos domésticos. Nao pode deixar faltar nenhum dos bens essenciais à casa, como a máquina de lavar, a TV de plasma, os milhares de modelos de multiprocessadores de alimento, o forno microondas.
E além de tudo têm que ser atleta sexual. Nós podemos dizer que estamos cansadas, com dores de cabeça, indispostas ou simplesmente sem vontade, mas vá um homem dizer pra sua namorada, noiva, amante, esposa ou ficante que não tá a fim... ele corre o risco de no dia seguinte estar sendo o assunto entre sua mulher e as amigas dela.
Assim, o machismo imposto nas sociedades por tantos séculos deixou uma seqüela aos machos: as cobranças a eles de tudo o que eles sempre se vangloriavam de fazer e ser. (há há há há há)

Ai, ai, ai...

  • Gordon Brown, Primeiro Ministro Britânico, às vésperas da eleição do Parlamento Inglês fez defesa clara e aberta às pesquisas com embriões humanos, dizendo que tais pesquisas podem salvar muitas vidas - as questões que abordam o tema são sempre muito pertinentes: o que determina ser ou não uma vida é o fato da concepção ter sido feita in vitro ou não (e as inseminações artificiais são o quê)? se achamos conveniente milhares de pessoas morrerem numa guerra para defender interesses que (na maioria das vezes) nem sabe quais são, não seria justo 'sacrificar' embriões criados em laboratório para que se erradiquem doenças epidêmicas? até onde é justo e ético matar em nome da vida?
  • Bin Laden pediu ao povo palestino que lute contra o bloqueio à Gaza - ô novela velha e sem fim essa guerra dos filhos de Abraão... briga de família é coisa que não acaba nunca, mas economicamente é viável para os fornecedores de armas, de mantimentos e para aqueles que gostam de posar pro mundo como pessoas que querem promover a paz mundial...
  • a União terá um aumento recorde na arrecadação de impostos neste ano, estima-se algo em torno de R$ 15 bilhões a mais do esperado - aí o Governo vem falar em criar um imposto pra ajudar na saúde... será que as diversas pastas não se comunicam entre si? se uma solto fogos porque terá arrecadação recorde, outra solta láqrimas porque o dinheiro não vai dar pra suprir o essencial que é a saúde... - vá entender!!
  • José Aparecido Nunes (aquele que está com o pescoço na guilhotina no momento), confesso da quebra de sigilo funcional, protegeu a Ministra Dilma Rousseff [presidenciável], contudo a oposição não acredita na confissão dele - bem, o ônus da prova é do denunciante, então a oposição que se preocupe em provar. Demitido, Aparecido logo estará assumindo algum cargo bem remunerado em algum páço estadual ou municipal do país... é assim que as coisas andam no mundo da política: "aos meus pão, aos seus cão"
  • Caça às bruxas - Tarso Genro falou em "punição aos agentes da ditadura" e imediatamente o MP abriu processo contra a União e coronéis da ditadura - como eu leio isso? Populismo: o Governo sabe que um processo desses durará anos, daqui a dois anos fará o maior estardalhaço na imprensa que está punindo os "vilões" da ditadura e a comoção popular estará a seu favor. Quando foi assinada a anistia, o acordo firmado era que nem um lado nem o outro teriam seus militantes perseguidos... mas sempre paira aquela vontade de vingança e revanchismo disfarçados de justiça. Cuidado para que não hajam excessos...
  • FHC avaliou o Governo Lula, afirmando que nas áreas da jutsiça, do Ministério Público, da economia e dos programas sociais houve significativo avanço, contudo, disse que a relação do Executivo com o Legislativo piorou - como não piorar! Lembro-me claramente que quando FHC negociava a aprovação de reeleição foi perguntado por um repóorter sobre as denúncias de aprovação de projetos dos senadores e deputados e mais verbas para certos estados em troca da aprovação de sua proposta e em claro e bom Português ele disse: "É assim, que se faz política, toma lá da cá", com esta proposta política era quase impossível haver uma má relação entre os Poderes...
  • Ai, ai, ai...

sábado, 17 de maio de 2008

A partida

Partiu hoje para a viagem que a todos aguarda e que não existe quem não a fará uma de minhas primeiras musas e que (embora muitos discordem) escrevia melhor que seu também falecido marido Bom será se ela estivesse enganada e Deus exista, e ela esteja feliz na grande mansão celestial. Sou muito grato a ela, embora ao mesmo tempo que ela nem sabia que eu existia, sabia que existem milhares como eu. Já li muito dela e adorei suas fotos. Zélia Gattai só não mais fará falta, pela riqueza da obra que compôs e que inspirou.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O ato


Nos espasmos que teus sussurros me causam
e nos arrepios que tuas mãos me levam
derreto-me secretamente em ti
que se expandes em mim
e te ocupo os espaços
rompendo e invadindo o caminho já preparado
com o tapete vermelho da sangria
escorres para que em ti escorra-me.
Em rompantes frenesis
te possuo, possues a mim,
dores, risos, contrações
indescritivelmente íntimas são as sensações
arfar, arfando, gemendo,
sussurrando coisas initelegíveis
vamos, vimos, não saímos, nem ficamos,
num abraço suado
os risos se formam nas bocas
que não se desgrudam de beijar...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Talício deu vexame

Tava eu numa quermesse quano vi Maria Luciovaneida, morena bonita de mais, pernona redonda como tora de carnaúba, e seus zói se faiscava pra mim, fiquei todo moleque pro lado dela, mas num dei in cima dela logo, não... fiquei na min-a que é pra mulé sabê que o homi aqui num tá a pirigo.
Chamei Bronilha, mulhé formosa, branca de cabelo amarelo, formosona, e fumo dançá. Uma, duas e trêis dança. Rebolava Bronilha pro lado, virava carrapeta cum ela, num saía do ritmo, e as vez incostava meu corpo naquele corpão. Luciovaneida só vendo e dançano parada, como se tivesse alugado aqueles dois mosaico do salão onde ficava arvorado os pé dela.
Chamei uma pitu, pra calibrar a temperatura e o ritmo, aí pronto virei sensação no salão do Arquibaldo. Naquela noite dancei com Marcelina, com Ritantônia, com as gêmea Adriosvalda e Osvaldriana, e até com Santinha (que adispois do seu aniversáro daquele ano arresolveu ser frêra, mais isso é uma ôtra história, que conto num ôtro dia).
Quano deu umas duazora da madrugada pensei, agora ta na hora de pará de dançá e se agarrá um pôco, que é já que a festacaba e num sô homi de saí de festa sozin.
Aí cheguei perto da Luciovaneida:
- A minina num qué dançá uma comigo?
- Num sei dançá não, mas vi que cê dança munito...
- Se ocê quizé pósso lhinciná uns pacin...
- Hoje não, eu queria ficá era de prosa cum ocê...
- Eu não, eu quéro ficá de bêjo, prosa a gente dêxa pros amigo...
Ela riu... ôche que riso mais porreta de uma égua... paxônei...
Saimo dali, fumo pruma mesa assentá, e fica veno os casá dançano e passano... tomamo umas canin-a, ela começô a ríi, pronto era só invisti...
Saimo da festa e fumo prum cafôfo ficá mais a vontade e fazê uma insculhambaçãozin-a, que todo fi-de-deus tem suas hora de fi-do-capeta...
Aí cumeçô aquela agarração, aqueles chêro no cangote, aquela apalpação que inmté parecia que tava dando busca-de-arma, e o negóço foi ficano bom, e bom, e miórando... deitamo e a égua da Luciovaneida pidiu pra fazê cachorrin-o...
- Arre égua, que diacho é isso! - perguntei, mas dipois fiquei sabeno que estas côsas de amô carnal tem nomezinho safado.
Ela fico como cachorrin e o negóço rolô de todo jêto... pense numa noite boa, mas o árco me pegô e capotei, durmi mermo.
Quano acordei, vixe-meu-deus-mí-a-nossa-sin-óra... tumei um baita susto... a Luciovaneida era um macho que tava durmino nu de meu lado... aí é que o negóço ficô ruim, insprico:
Invês de eu mandá ele íi simbóra e interra o assunto, gritei com o cabra e butei ele pra corrê lá de casa... aí todo muno viu o Luciovaneida saí nu de min-a casa, e sobéro que durmimo junto... arre égua, a vergoin-a foi tão grande que fuisimbóra de Lagoa de Dentro e inté hoje, nunca mais pisei nas terra do pPiauí, cum vergôin-a do acontecido.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ai, ai, ai...

  • Segundo o Wall Street Journal, o Brasil se juntou à linha das novas potências econômicas - quando eu era criança aprendi o significado de potencial: a condição do que se pode fazer ou alcançar ou atingir, mas não necessariamente que se fará, se alcançará ou se atingirá. Por exemplo: O tiro de um revólver tem o potencial de matar pessoas, mas isso não quer dizer que o fará. "o Brasil tem o potencial natural, econômico, social e cultural de ser o país mais rico e desenvolvido do planeta, isso não quer dizer que o será" - com essa explicação tomei um banho de água fria, maldito professor de Geografia
  • Os seguranças do filho do governador do Rio foram assaltados e tiveram suas armas roubadas - mermão, o negóço tá mermo ruim hein!!
  • A Ministra Marina Silva entregou o cargo por vaidade, afinal o projeto que circularia quantias vultosas não seria mais administrado por ela - magoei e fiz biquinho... tem gente que não quer dividir o bolo, mesmo sendo muito grande o naco
  • Pesquisa recente sobre a eleição nos EUA mostra que McCaim perderia tanto para Obama quanto para Clinton SE as eleições fossem diretas e a popuação fosse quem escolhesse o presidente, contudo como a eleição é indireta e os delegados votam de acordo com seus interesses pessoais, fica difícil dizer quem será o pr´poximo presidente dos EUA. Eu ainda acho que MacCaim vencerá este pleito, devido sua postura mais autoritária e bem texana
  • Terremoto na China... me condôo com o que vejo nos telejornais... isto sim poderia ser noticiado exaustivamente para ver se sensibiliza o mundo para lembrarmos que só temos uma vida e que sua perda trará dores a muitas pessoas... quantas vítimas! quantos mortos! quanta perda! Pessoas morrendo de fome, de dor, de asfixia, lentamente, sob os escombros... pessoas ouvindo gritos de socorro dos soterrados e nada poderem fazer para ajuda-los... e nós aqui, jogando comida no lixo, mudando o canal quando sai este tipo de notícia... isto sim deveria nos comover mais
  • ai, ai...

Súplica Cearense


Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Esta bela composição de Gordurinha e Nelinho,
que foi gravada por Luiz Gonzaga, Elba, Fagner e
tantos outros é uma demonstração de sentimento
de culpa pelas enchentes no Noedeste.
Há cinco anos que as chuvas não caíam com
tanta intensidade no nordeste brasileiro, e os açudes
e reservatórios de água encontravam-se bem aquém
de sua capacidade ideal.
Mas neste ano as chuvas têm causado calamidades
na região normalmente massacrada pela seca.

domingo, 11 de maio de 2008

O réu

Num país em que o poder judiciário era o Poder, um rapaz foi preso por matar um outro por motivo torpe: bebedeira.
No julgamento triplamente qualificado (por motivo torpe, sem condição de defesa da vítima, com crueldade) todas as provas eram contra o jovem assassino, que confessou o assassinato.
Contudo, naquela monarquia, havia uma pergunta que o juíz deveria proferir antes da execução capital de qualquer réu.
Uma vez confirmado o crime e sentenciado à morte, o juiz fala à numerosa platéia que assistia ao tribunal:
- Este jovem assassinou brutalmente a um jovem no bar, por motivo torpe, sua embriaguez; ferindo pelas costas e sem condição de defesa da vítima; após o assassinato, o jovem disse a todos que aquele nunca mais mexeria com mulher casada novamente. Desta forma, o sentencio ao enforcamento. Contudo, como manda a lei, pergunto: Há alguém que deseje assumir a culpa pelo crime no lgar do réu, e ser sentenciado por ele?
Silêncio geral na plenária do júri, até que uma voz feminina se escuta:
- Eu, eu aceito a pena pelo jovem!
Todos se viram para aquela mulher de 40 anos, e o juiz lhe pergunta se ela tem consciência do que está dizendo, ela afirma positivamente o desejo de pagar a pena por ele, e o juiz lhe pergunta por qual motivo ela aceita morrer pelo jovem:
- Quando, há vinte e um anos atrás eu conheci o pai deste garoto e me entreguei a ele, eu engravidei. Todos os dias, durante a gestação, eu sentia seu corpo se formando. Eu sabia que o meu sangue é que correria nas veias daquele feto, e depois do menino. Eu sabia que ele não seria formado pelo que eu comesse, mas, sim, por minhas próprias células. Eu sabia que o que compunha meu corpo é que iria compor o corpo dele, meus ossos cederiam cálcio e ferro para seus ossos, meu sangue cederia as hemácias e os leucócitos para o sangue dele, meu fígado, coração, pulmão, tecido adiposo, permitirism que células migrassem ao meu útero para formar aquela criaturinha e fazê-lo saudável. Eu sabia e sentia ele se formando em meu interior com substâncias que originadas em mim e que era assim que eu cumpunha e o formava no silêncio de meu corpo, no escuro de meu ventre, diariamente, a cada segundo. É por isso que estou disposta a assumir seus erros, não poque julgue que o criei mal, ou que eu tenha culpa por seus erros, mas porque o amo.
- É belo este seu ato, senhora, mas a senhora está realmente disposta a morrer por ele?
- Quando, há vinte anos, sujeitei-me à sala de parto, para o parir, lá eu fui como que à morte... as dores lancinantes que senti no romper de minha bacia, na abertura de meu corpo para seu nascimento, eu sentia dores de morte... eu me entreguei à morte na quele dia que o entreguei à vida - sim, como mãe, morremos na hora do nascimento porque sabemos que desde aquele dia em diante nossa vida é de nossos filhos...
- A senhora tem mita coragem... mas temos que exercer a justiça.
- Não é coragem meritíssimo, é amor. Não peço justiça a ele, peço misericórdia para ele e justiça para mim, porque não é justo para comigo deixar-me vivendo o resto de minha vida sem a presença deste a quem dei minha vida, há vinte anos.
(Este post foi feito a pedido - Jo e Clau me pediram um post para as boas mães... espero que gostem, não só elas, mas todos)

Safira desconfia da história bíblica

No tribunal de Jerusalém levaram um caso para o Rei Salomão julgar, o caso envolvida duas senhoras Alizafe e Beteami:
- Majestade, eu e Beteami demos luz aos nossos filhos ontem, e ficamos no mesmo quarto de recuperação... contudo, de noite, quando dormíamos, esta senhora deitou-se sobre seu filho e o sufocou à noite, aí, hoje de madrugada, ao perceber que seu filho estava morto, o trouxe à minha cama e trocou seu filho morto pelo meu... portanto senhor, esta criança viva é meu filho!
- Não Majestade, Alizafe mente. Ela deve ter dormido sobre a criança à noite e o matado, agora quer meu filho para si...
- Tragam-me a criança, disse Salomão.
Ele pegou uma espada e a criança, aí disse:
- Como não temos como saber de quem é esta criança, pois o teste de DNA ainda não foi inventado, então eu partirei a criança ao meio e darei uma metade para cada uma e acaba-se a dicussão.
Beteami disse, "isso senhor, faça isso que a justiça será feita".
Alizafe começou a chorar e disse:
- Não meu senhor, não mate esta criança, que é meu filho... eu prefiro que o senhor o dê para ela, para que eu não o veja morto.
Segundo a narrativa bíblica, Salomão deu a criança a Alizafe, porque compreendeu que a mãe prefere ver a criança com outra mãe que tê-lo morto.

SALOMÃO ACREDITOU NAS LÁGRIMAS DA MULHER!!!


Suponhamos que Alizafe dissimulara o choro para convencer ao Rei que era inocente, como muitas pessoas fazem. Mas se ela tinha o sono tão profundo que não sentira alguém tirar seu filho de seu colo, não poderia ter tido o sono tão profundo que não percebesse esmagar seu filho com o próprio corpo?
Será que Beteami não estava tão furiosa com a acusação e a grande possibilidade do rei acreditar na mãe-assassina? Será que ela não sabia como Salomão era misericordioso e por isso tinha certeza que ele não sacrificaria a criança, por isso o desafiou? Será que ela, simplesmente, não "jogou" com o rei, como ele estava jogando com elas?

Moral da história: não se tem certeza de um fato levando-se em consideração principalmente as manifestações emotivas das pessoas. É muito fácil mentir, chorar, rir e falar o que se quer.